No dia 16 de maio, o professor Adalberto Maisten, do curso de arquitetura e urbanismo da Universidade Estadual de Maringá (UEM), trouxe seus alunos do terceiro ano para conhecer e discutir algumas das principais obras da arquitetura londrinense. Entre elas, não poderia deixar de estar a antiga Rodoviária de Londrina. A edificação foi inaugurada em 1954 e hoje abriga o Museu de Arte Moderna. Mas o que era um valioso reforço no aprendizado dos alunos tornou-se um questionamento do urbanismo da cidade, já pautado pelas polêmicas CMTU-camelôs-artesãos. Os arquitetos também manifestam-se em defesa ou contra a ocupação das praças pelo mercado persa do artesanato e de manufaturados.
Maisten usou como gancho para a visita acadêmica a exposição sobre o engenheiro-arquiteto curitibano João Batista Vilanova Artigas (1915-1985), autor do projeto da rodoviária. Só que o que mais saltou aos olhos dos estudantes, ao invés das arrojadas linhas da primeira obra modernista do Paraná, foram as dezenas de barracas de artesãos espalhadas pela Praça Rocha Pombo, e a banca de revistas transformada em loja de bolsas, anexa ao museu na esquina da Rua Sergipe com Avenida São Paulo.
''Aquilo depõe contra o ambiente que está se visitando'', defende o professor. ''Quem vive em Londrina e sempre passa em frente à praça e ao museu não percebe, mas para o visitante que chega de fora, é uma brutalidade que desvaloriza todo o patrimônio histórico construído ali.'' Para o professor, não pode haver uma sobreposição do comércio à harmonia paisagística que as praças Floriano Peixoto e Rocha Pombo devem originalmente oferecer.
Ele ressalta também que a antiga rodoviária é um dos pontos de referência da Londrina urbana. Junto com a Casa da Criança (hoje secretaria municipal de Cultura de Londrina), também projetada por Artigas, inclui-se entre as obras arquitetônicas que definiram a arte moderna do Brasil. O arquiteto concebeu ainda o Estádio do Morumbi, que o São Paulo Futebol Clube erigiu na capital paulista, e o complexo do Cine-Teatro Ouro Verde/Edíficio Autolon, também em solo londrinense. A mostra que o homenageia prossegue até o final do mês comemorando 10 anos do museu.
Artigas figura entre os nomes de referência da moderna arquitetura nacional. E, por isso, merecia mais respeito, acredita Meisten. Ele comentou o que viu em Londrina com algumas autoridades, e ainda pode colocar o assunto em uma reunião, no final do mês, na UEM. Ou mesmo encaminhar um ofício para Universidade Estadual de Londrina (UEL), pedindo providências. Maisten crê em alternativas para o problema. ''Uma iniciativa interessante foi o camelódromo instalado pela prefeitura, que recebeu o comércio instalado em torno da antiga estação ferroviária e já revalorizou aquele patrimônio'', lembrou.

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