Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul. Quem visita a Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina não faz idéia de quantos quilômetros são rodados para compor a diversidade de barracas presentes no evento. Mas é só prestar atenção ao sotaque dos comerciantes, cozinheiros, garçons que suam a camisa na feira para descobrir um mosaico brasileiro.
''É o sétimo ano que venho de Balneário Camboriú (SC) para trabalhar aqui. Mas sou gaúcho'', diz Nereu Martins da Silva, 34 anos, da barraca de churros. Distante 650 km de casa, dormindo num caminhão-baú e sem tempo para curtir as atrações da Expo, Nereu não perde o bom humor. E tem mesmo que se acostumar à rotina, afinal faz ''dois ou três'' eventos por mês.
''Compensa mais do que trabalhar num lugar só. Você conhece pessoas diferentes, faz bastante amizade, aprende muito'', menciona o rapaz.
Com apenas 22 anos, o chapeiro Jaime Alves Claro elegeu a estrada como casa. Há quase um ano sem visitar sua ex-residência fixa, em Dourados (MS), ele leva no braço a lembrança da mãe: ''Eva, amor de filho'', diz a tatuagem. ''É uma opção de vida. Você tem que gostar, senão não aguenta'', comenta o jovem, que é contatado via telefone pelos restaurantes interessados em seus serviços. Quando o assunto é namoro, ele também prefere ser ''autônomo''. ''Ainda não penso em ter família. A cada feira, é uma namorada. Ou mais'', aumenta.
Para Luis Marcelo Bez, 41 anos, a vida de andanças por exposições não foi só uma escolha, mas a garantia de bons negócios. Representante de uma fábrica de aparelhos de identificação bovina em Garça (SP), há 9 anos ele vive viajando. ''O melhor lugar para achar os pecuaristas são as feiras'', justifica.
O lucro não é a única vantagem de passar tanto tempo nas rodovias. ''Tem um ciclo anual de feiras que começa em Natal (RN) e vai descendo até terminar em Salvador (BA). Entre elas tem uma semana de praia, é tão bom!'', deleita-se, enquanto ajeita na banca da Expo instrumentos estranhos aos não-iniciados no mundo da pecuária, como o ''assinalador de borda de orelha''.
O Paraná também ''exporta'' comerciantes. Dono de uma tradicional fábrica de artigos de selaria e montaria em Santo Antônio da Platina, o empresário Gildo Crespo de Freitas, 43 anos, participa da Expo Londrina desde os anos 80 e percorre outros eventos, principalmente em São Paulo.
''São oportunidades para rever os amigos, conhecer gente nova. Vira uma família, um ajuda o outro'', observa. Economicamente, porém, Gildo analisa que esse tipo de evento vem enfrentando uma decadência. ''Com o tempo, acredito que só vão sobrar as maiores. Eu mesmo fazia 25 feiras e hoje só estou indo em cinco'', constata.
O empresário prevê que esse processo deva se intensificar com a reascenção da cana-de-açúcar. E já achou sua saída: a internet. ''Hoje meus maiores lucros eu obtenho pelo site. Já vendi para a Suíça, Espanha, Alemanha'', enumera. Prova de que para sobreviver nesse mercado, é preciso continuar viajando. Mesmo que seja para trocar a poeira da estrada pelos caminhos virtuais.

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