Barracão do IBC está abandonado
Vinte e cinco portas de entrada para uma Jacarezinho que não existe mais. A cidade que respirou café hoje assiste o abandono e a depredação do prédio do antigo Instituto Brasileiro de Café (IBC). O espaço continua lá, enorme, mas vazio, servindo de abrigo para alguns pneus velhos. A linha de trem ainda passa ao lado, inspirando apenas a nostalgia dos moradores mais antigos.
Construído no Jardim Panorama, o local perfeito para a instalação de empresas, como afirmou o vereador Sebastião Ferreira Filho, presidente da Câmara Municipal. Segundo ele, atualmente, Jacarezinho conta apenas com três grandes indústrias, além de duas usinas de álcool. ''A vocação do município é agrícola, focada na produção de cana-de-açúcar e a maioria dos trabalhadores é bóia-fria.''
Num giro rápido pela área de aproximadamente 55 mil metros quadrados, a reportagem da FOLHA constatou que as ruas tornaram-se apenas um atalho para os moradores que precisam cruzar o Jardim Panorama até a Vila Setti, distantes apenas três quilômetros um do outro.
O antigo escritório e duas casas que abrigavam funcionários, além da portaria, estão abandonados. Uma das casas foi completamente destruída por vândalos, que roubaram desde materiais de construção como telhas, tijolos e janelas, até a fiação elétrica. A residência vizinha já não tem mais portas, nem os vidros das janelas, e foi tomada pelo mato, que também esconde a carcaça de um velho ônibus esquecido no terreno. ''Pessoas mal intencionadas estão usando as casas para se esconder da polícia ou até mesmo consumir drogas'', destacou o vereador.
Criado em 1952 para definir as diretrizes da política cafeeira, o IBC foi extinto em 1989. Hoje, a Prefeitura tem a concessão de uso do terreno que, recentemente, foi cogitado para ser a sede de uma unidade das Centrais de Abastecimento do Paraná (Ceasa), que poderá ser instalada na região do Norte Pioneiro.
A Prefeitura informou que já destacou um vigia, que manterá residência fixa no prédio, para fazer a segurança 24 horas do local. Ainda conforme a assessoria de imprensa, algumas empresas mostraram interesse em ocupar o espaço, mas como não há eletricidade no galpão, a idéia foi abandonada. A prefeitura diz que o prédio está disponível para qualquer empresário que se disponha a trazer luz para o barracão.(M.G.)





