Barraca vira moradia de despejados
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quinta-feira, 28 de setembro de 2000
Emerson Dias De Foz do Iguaçu 
O mecânico de Foz do Iguaçu, Renato Vargas Marques, 30 anos, está vivendo com a família em um barraca de lona montada em frente à casa onde morava, depois de ser despejado pela Justiça. Mesmo oferecendo acordo à Caixa Econômica Federal, o banco informou que não haveria condições de renegociação, devido ao atraso de 18 prestações do financiamento.
O drama de Marques começou na sexta-feira, quando cerca de 10 policiais federais, acompanhados de oficiais de Justiça, retiraram toda a mudança da casa de 69 metros quadrados e a colocaram na rua. A residência fica na Vila C, região norte da cidade, que conta com 2,6 mil habitações.
Sem ter para onde ir, com duas filhas menores e com a mulher grávida, o mecânico acabou montando um acampamento improvisado em frente à residência lacrada, já que a oficina onde trabalha também fica no terreno. Dependemos deste lugar. Não posso perder a casa, disse.
Segundo Marques, antes de ser retirado do imóvel ele já havia tentado renegociar os débitos com a Caixa, mas a informação que recebeu foi de que um edital deveria ser seguido e que as vendas já estavam definidas. A Caixa informou que uma pessoa executada não pode ser novamente financiada. A gerência explicou ainda que o morador foi avisado três vezes, entre notificações e visitas de oficiais, antes de ser retirado da casa.
Marques e outros vizinhos criticaram também os valores diferenciados, apontados na avaliação do banco. A Caixa justificou que o bairro é antigo (24 anos) e foi construído para servir de moradia para os operários da Itaipu e que contavam, na época, com 14 modelos de casas. As mudanças feitas pelos habitantes e os problemas com a transferência do setor público para o privado e novamente para o público, agravaram a situação do moradores na Justiça.


