O barqueiro Jolcimar Luiz Pes, 28 anos, o ‘‘Gilsão’’, foi condenado a 12 anos e um mês de prisão em regime fechado pela participação na morte dos empresários Quinto e Celso Andreis (pai e filho), executados a tiros no dia 10 de julho de 1995 em Guaíra (115 quilômetros a sudoeste de Umuarama). Entretanto, o julgamento pode ser anulado porque os jurados confundiram quesitos e acabaram aplicando uma sentença sem lógica. Tanto a acusação quanto a defesa vão apelar ao Tribunal de Justiça para que o julgamento seja anulado e convocado novo júri. O julgamento no Fórum de Guaíra durou quase 24 horas. Os jurados demoraram quase duas horas para votar os quesitos e a sentença só foi lida por volta das 8h30.
Acusado de ter transportado de barco até o Paraguai os dois pistoleiros que executaram os Andreis, Gilsão foi condenado por crimes diferentes. No caso de Quinto Andreis, os jurados acataram, por 4 votos a 3, a tese dos advogados de defesa, de que o barqueiro não contribuiu diretamente para a morte. O réu foi condenado por favorecimento pessoal (ajudar um criminoso a fugir ou escondê-lo), cuja pena foi de apenas 1 mês de prisão. Já em relação a Celso, os jurados ficaram com a tese da acusação, segundo a qual a participação de Gilsão teria contribuído diretamente para o crime e por isso, ele deveria ser condenado por homicídio. Pelo homicídio qualificado (mediante pagamento) ele foi condenado a 12 anos de reclusão. Por se tratar de crime hediondo, não tem direito a nenhum benefício devendo cumprir toda a sentença em regime fechado.
O advogado Carlos Alberto Disenha diz que a escolha dos jurados não tem lógica. ‘‘A condenação por homicídio qualificado seria mais aceitável se tratando de Quinto Andreis. Ficou claro no processo que a intenção era matar o empresário. O filho foi morto também porque tentou socorrer o pai. O promotor Laércio Januário de Almeida não quis comentar os prováveis erros do conselho de sentença.‘‘A decisão deles é soberana, mas vamos pedir um novo julgamento’’, encerrou.
Quinto Andreis e Celso, na época com 60 e 34 anos respectivamente, foram mortos com nove tiros de pistola disparados por dois homens que ocupavam uma moto. Eles teriam parado em frente a casa de Quinto e o chamado. A moto foi encontrada quase dois anos depois no fundo do Rio Paraná. Preso há dois anos, Jolcimar foi o único a ser detido e julgado pela dupla execução. Ele chegou à confessar a participação e citou Milton Andreis (sobrinho de Quinto) como sendo o mandante do crime. Milton e o tio travavam uma batalha judicial em torno da exploração da travessia por balsa na divisa entre Paraná e Mato Grosso do Sul, um negócio altamente lucrativo sobre o qual a empresa de Milton, a F. Andreis, mantinha o monopólio há quase 30 anos. O serviço acabou com a inauguração da ponte em janeiro deste ano.
Os outros envolvidos não foram denunciados pela Justiça. Além de Milton, Jolcimar citou o amigo dele Roque da Silveira, filho dos ex-prefeitos Osvaldo e Ada da Silveira. Ambos ainda respondem a inquérito policial com mais de 1.200 páginas que investiga o crime, tentando apurar provas.
Cerca de 100 pessoas acompanharam o julgamento que teve segurança reforçada. Familiares do réu e das vítimas também ficaram até o final.

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