Barqueiro acusado da morte dos Andreis será julgado de novo
Vânia Moreira
De Umuarama
Acusado de participar da morte dos empresários Quinto e Celso Andreis (pai e filho), o barqueiro Jolcimar Luiz Pes, 29 anos, o Jilsão, será julgado novamente sexta-feira, em Guaíra (115 quilômetros a sudoeste de Umuarama). O primeiro julgamento, em agosto de 98, foi anulado pelo Tribunal de Justiça, porque os jurados não entenderam os quesitos e aplicaram uma sentença confusa. Jilsão havia sido condenado a 12 anos e um mês de prisão em regime fechado. Quinto, na época com 60 anos, e Celso, com 34, foram executados a tiros dia 10 de julho de 1996 em frente a casa de Quinto. O crime teve grande repercussão porque envolve uma das famílias mais ricas do Paraná.
Dono da F. Andreis (uma das maiores empresas de mineração e transporte fluvial do Brasil), Milton Andreis é acusado de ser o mandante do crime. Sobrinho de Quinto, Milton travava uma batalha judicial com o tio pelo direito de explorar a travessia de balsa do Rio Paraná, entre o Paraná e Mato Grosso do Sul, um negócio altamente lucrativo que praticamente acabou dois anos depois, quando foi inaugurada a ponte Airton Senna. Na época do crime, a empresa de Quinto, a Mineração Floresta havia conseguido uma liminar judicial para operar na travessia, cujo monopólio pertencia à F. Andreis.
Acusado de ter transportado de barco os dois pistoleiros que executaram os Andreis, Jilsão foi o único a ser preso e julgado até agora. Milton e mais quatro pessoas foram denunciados pelo crime, mas o processo ainda está em fase de interrogatório dos acusados. Preso três meses depois, Jilsão ficou três anos na cadeia. Foi liberado em setembro do ano passado, porque o segundo julgamento marcado para outubro foi adiado e a nova data marcada para fevereiro deste ano.
O Tribunal de Justiça concedeu habbeas corpus por entender que o preso não poderia ficar esperando indefinidamente. Segundo o advogado, Aparecido Martins, que atua no processo como assistente de acusação, a família evita dar declarações sobre o caso, temendo que isso provoque novo adiamento do júri.
Quinto e Celso Andreis foram mortos com nove tiros de pistola disparados por dois homens numa moto. Eles pararam em frente a casa de Quinto e o chamaram. A moto foi encontrada quase dois anos depois no fundo do Rio Paraná. Jilsão teria transportado de barco os pistoleiros até Guaíra e os levado de volta ao Paraguai depois da execução. O barqueiro chegou a confessar o crime e citar nomes de outros envolvidos, depois negou e já deu pelo menos cinco depoimentos diferentes. Em juízo, ele disse que confessou o crime na polícia porque foi torturado.
Além de Jilsão e Milton Andreis, respondem processo pelo duplo homicídio o comerciante Roque da Silveira (filho dos ex-prefeitos Osvaldo e Ada da Silveira), Ivan Henrique de Azevedo, do Mato Grosso do Sul, e Ednaldo Rocha Alves, de Mato Grosso. Ivan e Ednaldo seriam os pistoleiros que teriam sido contratados com a ajuda de Roque. O outro acusado, o ex-policial civil Luiz Siqueira da Costa, 43 anos, que teria indicado os dois pistoleiros para Roque, foi assassinado a tiros em agosto do ano passado em San Martin, na fronteira com a Bolívia.
Uma das testemunhas mais importantes do processo, o alemão Hans Peter Wagner, também foi assassinado em Rolândia, em agosto de 98, alguns dias antes do julgamento de Jilsão. No processo do barqueiro, Wagner afirmava ter ouvido Milton Andreis comentar com alguém que, se Quinto conseguisse entrar no negócio das balsas, ele já tinha pessoas que resolveriam o problema. Na época, o alemão trabalhava de vigia numa empresa ao lado da empresa de Milton. O processo contra o barqueiro já tem oito volumes e 1.228 páginas.





