Sempre com os mesmos donos e por isso fortemente personalizados, o ''Bar do Jaime'' chegou aos 40 anos, em abril, e o ''Estoril'' ou simplesmente ''do Lucílio'' completará 50 em novembro. Meio século é a existência, também, do Edifício Centro Comercial, onde os bares permanecem. Isabel e Jaime Santos Mendez Gomes ofereceram aos fregueses jantar comemorativo com receita de bacalhau; Eirie e Lucílio Anacleto ainda não decidiram como vão assinalar a efeméride.
Portugueses casados com brasileiras, Lucílio nasceu em Alcanena e Jaime em Leiria, origens conhecidas dos fregueses e que levam a uma outra indicação: ''Lá no português.''
Lucílio inaugurou o Estoril em 15 de novembro de 1962, em sociedade com o irmão Virgílio, que três anos depois mudou-se para os Estados Unidos, onde continua. ''Foi uma grande festa. O bispo, dom Geraldo Fernandes, veio cortar a fita inaugural'', recorda Lucílio, aos 76 anos. ''O meu bar foi a primeira loja que abriu aqui, depois o Tesourinha (Aristides dos Santos), com os discos, a Livraria Arles também começou aqui'', relaciona.
O Centro Comercial recebia os últimos retoques externos e apenas três ou quatro famílias haviam ocupado apartamentos, as de Lauro Caldeira e Rui Porto entre elas. O Estoril era mais do que um bar, pela finalidade de fornecer pão, leite e outros produtos de consumo imediato.
Por influências desde a origem, o bar veio a ter uma clientela diferenciada pelo que mais gosta de discutir: política, economia, artes etc.
Lucílio recorda o empresário Neco Garcia Cid, o arquiteto Sérgio Bopp e o deputado federal José Richa (depois prefeito) entre os moradores após 1966; o atual governador do Estado, Beto Richa, era menino no Centro Comercial. E a localização facilitava a convergência de profissionais liberais, agentes do comércio cafeeiro, políticos, jornalistas e outros em atividades no Centro da cidade.
A uma distância entre uma a três quadras do bar situavam-se a Prefeitura e a Câmara Municipal, o Edifício América repleto de escritórios de comercialização de café, o Fórum, a Folha de Londrina, as rádios Paiquerê e Difusora. ''Apertei a mão do Juscelino Kubitschek em 1963, no auditório da Difusora'', lembra Lucílio, relacionando o fato à frequência do bar. Nelo Lainetti, chefe de noticiário da emissora, o convidara para o encontro do senador JK (em campanha para voltar à presidência da República) e simpatizantes.
O Estoril ocupa cerca de 40 metros quadrados no piso comercial superior, distingue-se pela variedade de bebidas e comestíveis e o bauru é uma tradição. Há os que vão ao bar mais para conversar com os proprietários. Eirie e Lucílio têm uma filha, Lucieirie, e um neto, ''que é um tesouro''.

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