Enormes tambores plásticos azuis cheios de material reciclável. Situação antes considerada utópica diante da rotina corrida dos restaurantes, hoje, a separação do lixo tornou-se comum no setor. Todos os 45 estabelecimentos filiados à regional londrinense da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) participam, há pouco mais de um ano, de um projeto que dá destinação correta a sobras de óleo de cozinha, vidros e lâmpadas fluorescentes. Empresários não têm gastos com a entrega dos itens para a reciclagem e ainda são certificados pela associação em preservação ambiental.
O reaproveitamento dos resíduos é feito em parceria com a iniciativa privada.''Agora o lixo reciclável é destinado a empresas idôneas, que se tornaram sócio-mantenedoras da associação'', disse Marcelo Camargo, diretor do conselho administrativo da Abrasel.
Segundo ele, ''muitos empresários não sabiam o que fazer com o óleo, jogavam na pia, nos bueiros e o resultado era o dano ambiental. Já os vidros acumulados iam parar em mãos desonestas, usados na fabricação de produtos falsificados''. ''Como o conteúdo das lâmpadas é tóxico, se não forem descartadas corretamente, contaminam imediatamente o usuário, além do solo e do ar'', completou o empresário, dono de um restaurante no Centro.
''Além do óleo, do vidro e das lâmpadas, a associação estuda a criação de um projeto de compostagem dos resíduos orgânicos como forma de amenizar o problema da coleta de lixo que tem preocupado os donos de bares e restaurantes atualmente.''
Para Camargo, a parceria com as recicladoras reflete um compromisso não só com o meio ambiente, mas é também uma maneira de a associação prestar serviço à comunidade. ''É uma forma de devolver à sociedade o que ela nos oferece ao buscar lazer em nossos estabelecimentos.''
Cores
O Programa de Reciclagem de Óleo Vegetal (Prove) é uma parceria entre a Bothanica Soluções Ambientais, a Abrasel e a Secretaria do Meio Ambiente de Londrina (Sema) e teve início em setembro do ano passado. São coletadas 40 toneladas de resíduos por mês em Londrina, apenas um décimo da demanda da cidade, conforme afirmou a gerente da Bothanica, Marisa Goettel.
Segundo ela, o produto recolhido é enviado para uma recicladora localizada na Região Metropolitana de Curitiba. ''Lá o óleo é transformado em material de limpeza biodegradável'', Conforme ela, a Bothanica troca o óleo usado pelos produtos feitos a partir da reciclagem, como sabão em barra e em pasta e detergente.
Assim como na reciclagem de óleo, os vidros são recolhidos em dias pré-determinados pela empresa londrinense Mirai Ambiental. No depósito, os vidros são separados de outros materiais (tampas de plástico, canudos, entre outros) e divididos por cores - branco, verde e âmbar. Depois disso, os resíduos são triturados manualmente e enviados para a indústria de reciclagem.
''A empresa fornece as bombonas para coleta dos cacos e lucra com a venda do vidro para a indústria vidreira'', assinalou a sócia administrativa da Mirai, Ângela Emico Koyama. Segundo ela, a empresa já tem 50 parceiros em Londrina e recolhe, desde janeiro, cerca de 200 litros de vidro por semana. ''Também coletamos garrafas pet e papelão de estabelecimentos que não têm para onde destinar estes materiais'', complementou.

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