Bares e hotéis vão perder a freguesia
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terça-feira, 08 de julho de 1997
Marccio W. Varella Maringá 
Marcos NegriniDalagasperina, que atende viajantes: Vou ter de fechar o hotelOs proprietários dos cerca de 20 bares e hotéis de alta rotatividade ao redor da rodoviária de Maringá estão prevendo uma queda de 50% no movimento de seus estabelecimentos a partir de novembro. A rodoviária, que funciona na praça central da cidade, vai mudar até o final do ano para o bairro Jardim Internorte, a dois quilômetros do centro.
Por outro lado, os comerciantes de artigos eletroeletrônicos instalados na região comemoram. Com a mudança, eles têm esperança de que a prostituição nas avenidas Tamandaré e Joubert de Carvalho, nas imediações da rodoviária, também seja erradicada. Para Eduardo Froes de Mota Neto, 52 anos, que vende aparelhos telefônicos, a mudança devolveria prestígio e dignidade ao comércio.
Mas as prostitutas que fazem ponto na rodoviária durante as 24 horas do dia garantem que não vão deixar a região. Lá na nova (rodoviária) não vai ter lugar pra gente ficar. O movimento aqui pode até cair um pouco, mas como sexo é uma coisa que todo mundo quer..., diz Neide Aparecida Lopes, 26 anos, e que trabalha há sete anos como prostituta. Otacília, outra prostituta, com mais de 50 anos, também vai ficar na região: Já fiz minha freguesia por aqui. Tem muita gente casada que gosta muito de mim.
Sueli Moreira da Silva, 48 anos, analfabeta, tem um bar há 10 anos na Avenida Tamandaré, ao lado da rodoviária. Quando a rodoviária mudar de local, eu vou à falência, com certeza. Aqui só vendo cerveja e pinga e minha freguesia é escolhida a dedo. Não tem bagunça aqui. Vivo das pessoas que chegam e vão embora da cidade, diz ela. Seu bar, o Club Social, fecha às 22 horas: Tenho medo de ficar até mais tarde porque aqui tem muito menor cheirando cola e muita prostituta.
Rosa Graça Dalagasperina, 31 anos, dois filhos, é dona do Hotel Real, instalado ao lado da rodoviária. O hotel existe há mais de 20 anos, tem 27 quartos e cobra diária de R$ 6,00. Só atendo viajantes e vendedores que chegam a Maringá. Aqui não deixo entrar casais para programas rápidos. Com a saída da rodoviária daí da frente, vou à falência rapidinho, diz ela.
Na mesma situação dela está seu vizinho e dono do Hotel Santos, Cirilo Gasparin, 70 anos. Seu hotel, que funciona no mesmo local há 30 anos, pode ser fechado: Saiu a rodoviária, acabou o movimento. Vou viver do quê?, pergunta ele. Gasparin garante que seu hotel só recebe famílias. Aqui só vem gente boa, afirma, enquanto um rapaz acompanhado de uma prostituta entra direto para os quartos, perguntando baixinho: E aí, Cirilo, tudo limpo?
O gerente do Hotel Comercial, Nilton Juvêncio, 43 anos, assume que seu hotel aluga quartos por até uma hora para casais fazerem programas: Cobro R$ 4,00 por hora, mais que isso não dá. O movimento já foi melhor, mas com a mudança da rodoviária deve cair bastante. As meninas vivem dos que chegam à cidade.
O gaúcho Emílio Martin Knappe, há um ano proprietário do Bar do Emílio, na Avenida Tamandaré, já brigou por duas vezes com ladrões e bêbados. Consigo levar na boa porque não deixo menor e nem prostituta entrar aqui, mas com certeza o movimento vai cair porque a moçada não terá mais as mulheres. Elas vão embora também, junto com a rodoviária, afirma Knappe.
O comerciante Mota Neto acredita que a rodoviária chama a prostituição. À noite esta rua fica cheinha de prostitutas, o que pega muito mal para o nosso comércio e espanta a freguesia. Acho que com a mudança a coisa vai melhorar.
A Prefeitura de Maringá ainda não sabe o que vai acontecer com o prédio da velha rodoviária. Havia um projeto do ex-prefeito Said Ferreira de transformar o local num shopping popular. Mas o assessor jurídico da atual administração, Otávio Salvadore, afirma agora que o prédio deverá ser demolido.
Enquanto isso, a prefeitura tenta melhorar o ambiente em frente à rodoviária, reformando o piso e os canteiros da Praça Raposo Tavares, local de grande concentração de prostitutas e meninos de rua. A praça terá vigilância dia e noite, segundo o secretário dos Serviços Urbanos e Meio Ambiente, Hamilton Cardoso.


