O delegado-chefe da 10Subdivisão Policial (SDP) em Londrina, Pedro de Jesus Colaço, baixou portaria ontem determinando que os delegados do município façam um levantamento de todos os bares e boates existentes em cada região. Os estabelecimentos que não possuirem alvará de funcionamento serão lacrados pelos delegados.
A medida, segundo Colaço, é uma tentativa de coibir a criminalidade, sobretudo com relação ao tráfico e consumo de substâncias entorpecentes. As incursões dos policiais devem começar dentro de duas semanas. Os bares, principalmente os de periferia, são considerados pela Polícia como locais de risco.
A violência em Londrina, que está crescendo a cada ano, atingiu números extremos. Apenas nos 26 dias de agosto, o mês mais violento do ano, foram registrados 16 homicídios. Em 2002, já são 89 assassinatos. No ano de 2001, a Polícia contou 116 homicídios e em 2000 foram 83.
''Tomamos esses números com tristeza, porque vemos que as causas são sociais, que acabam levando os jovens para a criminalidade'', comentou Colaço. ''É uma bomba explosiva, formada por uso de tóxicos e crimes, que acaba resultando nos homicídios.'' Para ele, as estatísticas só irão cair quando houver uma ''ação social mais efetiva'', que envolva os jovens, sobretudo das áreas mais carentes.
Colaço afirmou que a arma da Polícia para minimizar os efeitos dessa combinação mortal é a investigação, focada essencialmente no tráfico de drogas. ''A grande maioria (das pessoas assassinadas) tinham passagem pela Polícia'', apontou.
O trabalho da força-tarefa, que começou a atuar no final de julho, também foi destacado por Colaço. De acordo com ele, em pouco mais de um mês de atuação foram apreendidos 187 papelotes de cocaína, 87 gramas de pasta base, 888 gramas de maconha e dois cigarros da droga, 60 pedras de crack, uma espingarda calibre 12, dois revólveres calibre 38 carregados e 11 cartuchos de munição. Os policiais da força-tarefa também prenderam 12 traficantes em flagrante e outras três pessoas foram indiciadas por tráfico. A Polícia também fichou outras duas pessoas como usuárias, por meio de termos circunstanciados. A Folha apurou, porém, que a força-tarefa trabalha com número reduzido de policiais e, por isso, resultados mais expressivos só serão perceptíveis a médio prazo.

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