Quando os pescadores Domingos Martins Garcia, João Alves e Filipe Pedroso encontraram, em 1717, nas águas do Rio Paraíba do Sul (região Nordeste de São Paulo), a imagem de Nossa Senhora Aparecida, provavelmente não imaginavam que, quase três séculos depois, a devoção à Santa, que tornou-se padroeira do Brasil, seria tão grande.
Os católicos da cidade de Primeiro de Maio (61 Km ao norte de Londrina) também manifestaram seu amor pela mãe de Jesus Cristo no feriado do último dia 12. A festa começou às 8h com uma missa e só terminou depois das 21h quando o arcebispo de Londrina, Dom Orlando Brandes, deu a benção final. Tudo para homenagear a padroeira do País e da cidade.
Entre missas, terços, novenas e bênçãos de carros, motos e até bicicletas, a atividade que mais atraiu os fiéis foi a procissão com a imagem de Nossa Senhora Aparecida. O cortejo começou na Represa Capivara e terminou horas depois, na Igreja Matriz da cidade.
Um dos mais ansiosos pelo início da procissão fluvial era o agricultor Ângelo Pereira Vieira, 58 anos. Porém, apesar da ansiedade, ele está longe de ser um ''marinheiro de primeira viagem'', pois participa do evento desde a primeira edição, que aconteceu há 25 anos.
''Neste local existia um córrego pequeno, quando ocorreu o represamento, o padre Orlando (pároco da cidade na época) teve a idéia de iniciar a procissão. A primeira aconteceu com apenas cinco barcos pequenos'', relembra.
Além do pioneirismo, o agricultor garante ter outros motivos importantes para participar da procissão. Ele atribui à Santa a cura de sua filha, que passou recentemente por uma cirurgia para a retirada de um tumor. ''Rezamos muito, a cirurgia correu bem e o tumor era benigno'', conta Vieira, já relatando outra história. ''Certa vez eu sofri um acidente automobilístico, o veículo ficou todo danificado, mas saímos ilesos eu e o pára-brisa no qual havia uma imagem de Nossa Senhora Aparecida''.
O comerciário e radialista Osmail Pelegrini, 50, também aguardava o início da procissão. Com o barco cheio de familiares e amigos ele contou que também se considera um agraciado por Nossa Senhora. ''Recentemente fui internado com diagnóstico de depressão. Depois de examinado pelo cardiologista constatou-se que eu tinha sofrido um enfarto, mas não fiquei com nenhuma sequela'', relata.
Já o padre Sebastião Tavares, pároco da cidade, preferiu destacar a importância de Maria para a igreja católica. ''Maria foi o primeiro sacrário, afinal foi a primeira a receber o corpo de Cristo. Então, temos muita admiração pela mãe do Filho de Deus. Ela sempre realiza momentos maravilhosos em nossa vida; no entanto, o 'primeiro lugar' é de Jesus, Maria nunca quis ocupá-lo. Até hoje, como nas bodas de Caná, ela continua nos dizendo para fazer tudo o que ele disser'', explicou o padre, em meio à músicas de louvor e gritos de ''viva Nossa Senhora Aparecida'', enquanto os barcos já cortavam as águas da represa.
Na chegada da imagem ao terminal turístico de Primeiro de Maio (Paranatur) uma verdadeira multidão - 4 mil pessoas segundo
estimativas da Polícia Militar - aguardava. Dali, os fiéis foram a pé até à igreja matriz.

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