Barco vira e voluntário desaparece
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sexta-feira, 31 de janeiro de 1997
Leonardo Revesso Especial para a Folha 
VILA ALTA - O mecânico Clemente Brito Filho desapareceu ontem de manhã no Rio Paraná. Ele ajudava o Corpo de Bombeiros a levar mantimentos aos moradores do arquipélago de Ilha Grande, removidos para locais seguros nas próprias ilhas. Brito, que estava acompanhado por dois bombeiros, trabalhava como voluntário no atendimento aos desabrigados pela cheia do rio, a maior dos últimos oito anos, de acordo com a Defesa Civil.
Informações não confirmadas oficialmente dão conta que o barco em que eles estavam virou ao bater num tronco de árvore. Brito não usava colete salva-vidas. Os dois bombeiros que estavam com ele conseguiram se salvar. O acidente aconteceu às 8h30, numa área do rio a 5 quilômetros do distrito de Porto Figueira, em Vila Alta (74 quilômetros a noroeste de Umuarama).
Logo em seguida, homens da Defesa Civil iniciaram a mobilização para encontrar o corpo. Brito trabalhava como mecânico na Prefeitura de vila Alta há cerca de dois anos.
Ontem, o Rio Paraná continuava subindo na região, só que em ritmo mais lento em relação à semana passada. O nível das águas estava pelo menos 5,20 metros acima do normal. A Defesa Civil conta com a abertura de mais de uma comporta da Hidrelétrica de Itaipu, em Foz, e com a normalização da vazão em Rosana e Jupiá, no interior de São Paulo, a partir de hoje.
A chuva também em cai em menor intensidade na região do Rio Ivaí, principal subafluente do Paranazão. Na semana passada, o Ivaí transbordou e levou grande quantidade de troncos de árvore e plantas ribeirinhas para o Rio Paraná, o que atrapalhou bastante o resgate dos moradores de Ilha Grande. O município mais atingido com a cheia na região ainda é Icaraíma (67 quilômetros a noroeste de Umuarama). Pelos cálculos da Defesa Civil, 190 pessoas estão em abrigos improvisados.
A situação é a mesma em Vila Alta, município vizinho. Cerca de 100 pessoas, incluindo dezenas de crianças, passam o dia em escolas e postos de saúde. Os ilhéus, preocupados em cuidar dos pequenos animais que criam, permanecem na barranca do rio, junto aos bombeiros, na tentativa de conseguir carona para voltar às casas e conferir a situação. Eles compartilham a esperança de que a água volte ao normal, para que possam salvar parte das plantações.


