Os advogados do ex-gerente da concessionária Cipasa, Ibrahin José Barbino, não conseguiram entrar ontem com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça (TJ) para revogar a sua prisão preventiva, ocorrida no final da tarde de quinta-feira. Com isso, o ex-gerente, assassino confesso do empresário Ciro Frare, deve passar o fim de semana em uma cela especial do 2º Distrito Policial (DP) de Londrina. Segundo o advogado José Romeu do Amaral Filho, o recurso não foi possível por causa da demora na emissão de uma certidão pelo Fórum, necessária para instruir o pedido.
Amaral informou que pretende argumentar que o acusado colaborou com todos os trâmites legais para a conclusão do processo. Porém, no despacho do juiz substituto da 1 Vara Criminal Délcio Miranda da Rocha (que decretou a prisão), ele afirma que Barbino deixou de comparecer por duas vezes a perícias marcadas para verificação de uma possível depressão. Finalmente quando o exame foi realizado, nada foi constatado, ''evidenciando a sua boa condição psicológica ou ao menos que não era portador do mal que alegou ter''. O juiz também determinou interrogatório do réu para o dia 5 de abril, às 15 horas.
De acordo com o advogado da família Frare, Walter Bittar, além de simular uma depressão, Barbino fez desaparecer documentos que poderiam ajudar na investigação. Além disso, algumas testemunhas convocadas pela defesa não existiam ou estavam registradas em endereços inexistentes, o que mostra que ele estava tentando ganhar tempo'', disse.
Amaral nega que seu cliente tenha se recusado a colaborar. ''Barbino compareceu a todos os atos processuais, com exceção de um, quando apresentou atestado médico comprovando depressão. Recebeu o oficial de justiça em todas as visitas e nunca se ausentou de Londrina'', defendeu. Sobre a suposta tentativa de ganhar tempo, o advogado disse que ''todas as testemunhas são fidedignas, com endereço correto. Não realizamos este tipo de ''gincana jurídica''.
Barbino confessou à justiça que matou com quatro tiros o dono da concessionária em 26 de junho de 2004, dentro da empresa, após uma suposta discussão sobre problemas de gerenciamento da concessionária. O ex-gerente ficou sob suspeita depois que uma auditoria na empresa confirmou irregularidades contábeis de cerca de R$ 3,7 milhões. Em depoimento, Barbino alegou que teria atirado em Frare depois de ser humilhado pelo empresário.
Os crimes geraram a abertura de dois inquéritos. Um deles, conduzido pelo delegado da Promotoria de Investigações Criminais (PIC), Alan Flore, serviu de base para a prisão de anteontem. Segundo o despacho do juiz, há provas técnicas de falsidade ideológica e de furto qualificado, corroboradas por ''farta prova testemunhal''. O segundo inquérito trata do homicídio e foi conduzido pela Polícia Civil.
Como se apresentou à justiça dias depois do assassinato, Barbino não pôde ser preso em flagrante. A prisão por homicídio ainda não ocorreu porque, segundo Amaral, Barbino ''não intimidou testemunhas, não cometeu atos lesivos à dignidade humana e nunca deixou de colaborar''. ''Por isso, acreditamos que o habeas corpus deve sair nos próximos dias'', continuou.
Segundo Bittar, a família Frare já esperava pela prisão. ''Eles também esperam que a decisão não seja revogada pelo Tribunal de Justiça, já que os motivos para o crime são absurdos'', disse. Não há prazo para a conclusão do processo, que depende apenas do depoimento de duas testemunhas. (Colaborou Silvana Leão)

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