Acusado pelo assassinato do empresário Ciro Frare, 67 anos, o ex-diretor da concessionária Cipasa Ibrain José Barbino, 56 anos, será interrogado hoje à tarde na 1 Vara Criminal do Fórum de Londrina. Ele confessou ter assassinado a tiros o empresário no dia 24 de junho deste ano, dentro da concessionária (Área Central), de propriedade de Frare.
No último dia 9, o juiz da 1 Vara Criminal, João Luiz Clève Machado, acatou denúncia do Ministério Público (MP) contra Barbino. A alegação da promotora Susana Broglia Feitosa de Lacerda foi de que o ex-diretor praticou homicídio duplamente qualificado por motivo fútil e sem oferecer chances de defesa à vítima. O inquérito policial apontou que Barbino teria matado Frare porque o empresário teria descoberto indícios de um esquema de desvio de dinheiro na concessionária em Londrina, que teria gerado um desfalque de R$ 3,7 milhões.
Na denúncia, Susana Lacerda também requisitou a prisão preventiva do ex-diretor. Clève afirmou que se pronunciará sobre o pedido apenas após a defesa prévia que será apresentada pelo advogado de Barbino, Antônio José Mattos do Amaral. O juiz explicou ontem que tal defesa deve ser oferecida dentro de três dias após o interrogatório. Nesta ação, o advogado também deverá indicar as testemunhas de defesa. O passo seguinte do processo será o depoimento das testemunhas de acusação.
Clève negou anteriormente um pedido de prisão preventiva apresentado pelo MP poucos dias após o crime. Susana Lacerda entrou com recurso no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, que ainda não foi julgado. Ontem, o advogado da família Frare e assistente de acusação no processo, Walter Bittar, informou que uma auditoria ainda não concluída feita pela empresa já apontou desvios de pelo menos R$ 90 mil na Cipasa de Londrina.
Bittar mencionou que a investigação ainda não foi encerrada porque vários documentos sumiram da concessionária. Antônio do Amaral afirmou ontem que não reconhece a auditoria que está sendo feita pela Cipasa. ''Trata-se de uma investigação contratada pela empresa, que não abre espaço para o contraditório. Eu vou requisitar uma auditoria isenta'', disse o advogado.
Amaral afirmou que Barbino estava em Londrina na tarde de ontem e que o ex-diretor entregou espontaneamente seu passaporte à Justiça para demonstrar que não pretende deixar a cidade. ''Os filhos dele estão estudando normalmente. Ele vai se apresentar para o interrogatório amanhã (hoje) justamente porque quer provar que não deseja ludibriar a Justiça'', garantiu.

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