O diretor da Concessionária Cipasa, Ibrain José Barbino, de 55 anos, autor confesso do assassinato do empresário Ciro Frare, de 67 anos, apresentou-se no 1º Distrito Policial (DP), na manhã de ontem, para ser indiciado oficialmente pelo crime. O diretor esteve acompanhado do advogado Antônio do Amaral, que entrou na frente do indiciado numa tentativa de evitar o assédio da imprensa. O assassinato ocorreu no dia 24 de junho, dentro da empresa que pertencia a Frare. O empresário foi morto com cinco tiros.
Barbino chegou ao 1º DP por volta de 12h45 e deixou a delegacia cerca de 30 minutos depois da mesma forma que entrou, calado. Segundo o delegado do 1º DP, Marcos Belinati, reponsável pelo inquérito, ele se reservou o direito de só falar em juízo. ''Ele estava visivelmente abalado. O advogado afirmou que quando ele se recuperar emocionalmente voltará para dar detalhes sobre o crime'', disse Belinati. O delegado comentou que as únicas palavras do autor confesso do crime foi que ''acreditava em Deus''. Há uma semana, graças a um salvo-conduto obtido na Justiça, Barbino foi liberado de se apresentar por cinco dias, pois estaria em tratamento médico.
Barbino assinou um termo de qualificação, em que apontou ter salário de R$ 12 mil reais e não R$ 9 mil como teria dito o filho da vítima, Alexandre Frare. O diretor também entregou ao delegado o registro do revólver Taurus calibre 38 (com data de setembro de 1997) e o porte da arma, que estava vencido desde setembro de 1998.
De acordo com o delegado, nada muda no inquérito com a apresentação de Barbino. Porém, um dos argumentos para o pedido de prisão preventiva a possibilidade de fuga pode ter sido eliminado com esta atitude. Belinati pediu a prisão preventiva do diretor na semana passada, porém na última terça-feira o juiz da 1 Vara Criminal, João Cleve Machado, indeferiu o pedido.
Anteontem, a promotora da 1 Vara Criminal, Susana Boglia Feitosa de Lacerda, pediu a retenção do passaporte do indiciado e interpôs recurso no Tribunal de Justiça pedindo a revisão do indeferimento do pedido de prisão preventiva. Ela entende que existem requisitos para a medida, quais sejam ''o clamor público, o caráter hediondo e grave do crime e a periculosidade que o réu demonstrou com a sua conduta''. A promotora adiantou que, além do crime de homicídio, o diretor deverá responder também por porte ilegal de arma.
O advogado de defesa confirmou que a apresentação do seu cliente foi uma estratégia contra a possibilidade de prisão preventiva. ''Apresentei-o como forma inequívoca de que ele não quer causar nenhum embaraço às investigações. Foi a forma mais segura de afastar qualquer temor de prisão'', observou Amaral. Ele afirmou que instruiu seu cliente a permanecer calado para ajudar na defesa técnica. Amaral argumentou que o diretor não tem condições de compor uma sequência lógica do que aconteceu no dia do crime. ''Entendo que ele tem total direito de preservar-se de todas as maneiras possíveis das provas que tem contra si'', completou. Barbino iria se reunir ainda na noite de ontem com seus médicos e, segundo seu advogado, pretende permanecer na cidade.

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