Barbino é suspeito de clonagem de placas
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segunda-feira, 05 de julho de 2004
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
O diretor da Cipasa, Ibrain José Barbino, de 55 anos, autor confesso do assassinato do empresário Ciro Frare, 67 anos, é suspeito de clonagem das placas de um automóvel. O delegado-operacional da 10 Subdivisão Policial de Londrina, Márcio Amaro, que investiga o caso, informou que as placas de uma Saveiro localizada na propriedade de Barbino em 24 de junho, mesmo dia do crime, teriam os mesmos números das placas de uma Parati de Londrina.
O proprietário da Parati prestou depoimento à Polícia Civil na última sexta-feira e, de acordo com Amaro, disse que o veículo nunca foi furtado. O dono do carro afirmou também que desde o início de 2003 recebeu três notificações de multas de trânsito por irregularidades que não teria cometido. ''Ele disse que comprou a Parati na Cipasa de Londrina, em 2002. O carro era usado com ano de fabricação 97/98'', afirmou Amaro.
O delegado explicou que requisitou documentos ao Detran e que apenas após recebê-los pretende ouvir Barbino sobre o assunto. Outro ponto da investigação de Amaro indica que o diretor também seria suspeito de aplicar o golpe do seguro: uma perícia apontou que a Saveiro encontrada na fazenda foi montada a partir de um Gol branco, que teria sido furtado em 1983.
O próprio Barbino registrou queixa sobre o furto em 6 de agosto daquele ano. Um mês e três dias depois, ele recebeu da polícia uma certidão de não-localização do carro, necessária para receber o seguro. Barbino nunca deu baixa na queixa. A Polícia Civil irá levantar se o Gol tinha seguro. Entretanto, Amaro citou que, mesmo que o golpe seja comprovado, Barbino não poderia ser indiciado pelo crime, que já prescreveu.
O advogado de Barbino, Antônio Amaral, disse ontem que não havia falado com o cliente sobre a situação da Saveiro. ''Vou me informar sobre o assunto antes de falar qualquer coisa'', afirmou. A investigação sobre a Saveiro surgiu de um desmembramento do inquérito policial que investiga o homicídio de Frare. O delegado que está cuidando do caso, Marcos Belinati, disse ontem que um dos filhos do empresário assassinado, Alexandre Frare, irá prestar depoimento através de carta precatória. ''O advogado da família (Walter Bittar) explicou que Alexandre está com receio de vir para Londrina. Ele deverá prestar depoimento no Centro de Operações Policiais Especiais (Cope), em Curitiba'', afirmou o delegado.
Segundo Belinati, Alexandre Frare ajudava o pai a cuidar da rede de concessionárias Cipasa, que pertence à família. ''Alexandre vinha com frequência para Londrina e sempre conversava com Barbino. Ele me contou por telefone que o diretor era muito amigo da família Frare, até participava das festas de final de ano'', disse o delegado. ''Ele também disse que nos últimos anos os lucros da Cipasa de Londrina vinham caindo''.
A Polícia Civil investiga se o motivo do assassinato pode ter ligação com um supostas irregularidades no valor de R$ 3,7 milhões na empresa, entre 2000 e 2004. Um ex-contador da Cipasa alegou em depoimento que a diferença foi um erro técnico-contábil. A diretoria da empresa iniciou auditoria detalhada para investigar o problema. De acordo com informações recebidas por Belinati, o procedimento já teria apontado algumas irregularidades, mas maiores detalhes não foram passados ao delegado.


