Barbino é solto graças a liminar do STJ
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 18 de abril de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Depois de passar 27 dias preso em uma das celas do 2º Distrito Policial (DP) de Londrina, o ex-diretor da concessionária de veículos Cipasa, Ibrahin José Barbino, 57 anos, foi solto ontem à tarde após deferimento, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), de pedido de liminar para que aguarde o julgamento em liberdade. Barbino é assassino confesso do empresário Ciro Frare, proprietário da concessionária, morto em 26 de junho de 2004 com quatro tiros.
Logo após a prisão de Barbino, ocorrida no dia 23 de março, sua defesa entrou com pedido de habeas corpus no Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, que foi negado. Ontem a prisão foi revogada pelo ministro Paulo Medina, relator do STJ. Seu advogado, Antonio Amaral, disse que o principal argumento utilizado pela defesa foi o bom comportamento de Barbino. Ele confessou a autoria do crime, não criou dificuldades para a justiça, sempre esteve presente nos atos do processo. O STJ entendeu que sua prisão era ilegal.
Barbino que foi mantido em cela especial, por ter curso superior saiu da prisão pouco antes das 17 horas, acompanhado de seus advogados, sem falar com a imprensa. Segundo Amaral, ele seria levado direto para seu apartamento, na Área Central.
Amaral disse não acreditar na possibilidade de Barbino voltar à prisão antes de seu julgamento. Pode ser que o Ministério Público (MP) recorra, mas acho impossível que o STJ volte atrás. O MP de Brasília foi favorável à manutenção do Ibrahin em liberdade até seu julgamento pelo Tribunal do Júri.
Para o advogado da família Frare, porém, o ex-gerente pode voltar a ser preso. A decisão do STJ apenas revoga a liminar. O mérito ainda não foi julgado. Trata-se de uma decisão cautelar, argumentou Walter Bittar. Ele disse não ter ficado surpreendido com a decisão. Sabíamos desta possibilidade.
Segundo Bittar, os familiares do empresário morto demonstraram uma profunda decepção com a justiça. Eles acreditam que quem vai fazer justiça é o povo de Londrina, durante o Tribunal do Júri. O advogado afirmou que vai aguardar o julgamento definitivo do habeas corpus.
Ciro Frare teria sido morto após uma discussão com Barbino sobre problemas de gerenciamento da concessionária. O ex-gerente ficou sob suspeita depois que uma auditoria na empresa confirmou irregularidades contábeis de cerca de R$ 3,7 milhões. Em depoimento, Barbino alegou que atirou em Frare depois de ser humilhado pelo empresário.
Foram abertos dois inquéritos para apurar as ações de Barbino na empresa. Um deles, conduzido pela Promotoria de Investigações Criminais (PIC), resultou na sua prisão, por falsidade ideológica e furto qualificado. O outro inquérito sobre o homicídio foi aberto pela Polícia Civil. Como o ex-gerente só se apresentou à polícia dias depois do crime, não pôde ser preso em flagrante.


