Passados nove meses do assassinato do empresário Ciro Frare, de 67 anos, em Londrina, o réu confesso Ibrahim José Barbino, que está em liberdade, poderá ser julgado apenas em 2006. A estimativa é do juiz da 1 Vara Criminal, João Clève Machado. Atualmente, o processo está na fase de ouvir as testemunhas de defesa. ''Acredito que só em cinco meses poderei me pronunciar se o réu deve ou não ir a júri popular'', declarou.
O crime ocorreu na manhã de 24 de junho de 2004, dentro da concessionária de veículos Cipasa, de propriedade de Frare e da qual Barbino era gerente. O empresário foi atingido por cinco tiros. Segundo hipóteses levantadas pela polícia nas investigações da época, Barbino teria cometido o crime porque Frare teria descoberto irregularidades no valor de R$ 3,7 milhões na empresa, entre 2000 e 2004.
Segundo o advogado da família da vítima, Walter Bittar, a auditoria na Cipasa terminou e as irregularidades foram confirmadas. ''Uma testemunha detalhou como era a alteração de valores. Está tudo nos autos'', afirmou. O advogado explicou que para a empresa não ter prejuízo precisaria arrecadar R$ 4 milhões por ano. Porém, Barbino informava que com R$ 3 milhões já havia lucro. ''Com isso, a Cipasa pagou muito mais do que deveria ao Fisco'', disse.
''A família está revoltada com a Justiça. Eles não se conformam que, mesmo após confessar o crime, Barbino ainda esteja em liberdade'', relatou Bittar. Três pedidos de prisão preventiva foram negados pela Justiça local e pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná. Em dezembro de 2004 a promotora da 1 Vara Criminal, Susana Lacerda, recorreu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). O pedido ainda está sob análise.
De acordo com a promotora, se o réu estivesse preso o processo tramitaria mais rápido. Se Barbino continuar livre até o juiz se pronunciar, e se esta decisão mandá-lo para júri popular, ele entrará em uma fila de 130 pessoas que aguardam pelo julgamento. ''Preso, ele passaria na frente de todos'', explicou Susana. Porém, o juiz ressalta que mesmo no caso de réus presos há uma fila de 150 pessoas.
Como todas as testemunhas de acusação já foram ouvidas, o próximo passo é esperar o interrogatório das pessoas arroladas pela defesa. ''Depois o processo recebe as considerações finais das partes e então poderei decidir se o réu irá a júri popular ou não'', informou o juiz. Machado e o advogado de acusação acreditam que a tramitação está sendo rápida. ''Temos outros casos que duraram mais de oito anos para serem julgados'', infomou o juiz.
Em 21 de outubro de 2004, o juiz João Clève Machado pediu o encaminhamento do depoimento de Barbino para a Promotoria de Sonegação Fiscal. O promotor responsável, Leonir Batisti, recebeu o depoimento e encaminhou três ofícios para outros órgãos, pois entendeu que o assunto era de interesse nacional. A Procuradoria da República, a prefeitura e a Delegacia da Receita Federal ficaram encarregadas de apurar uma possível fraude contra o Fisco.
Bittar também informou que em dezembro do ano passado o outro advogado da família Frare, Marcelo Marques Munhoz, ingressou com processo de reparação de danos morais e materias na 9 Vara Cível de Londrina. ''Neste caso, a Justiça decretou a indisponibilidade de todos os bens de Barbino'', disse. Ele não soube precisar o valor em dinheiro dos bens, mas afirmou que Barbino possui muitos imóveis em Londrina e região.
A reportagem entrou em contato, por várias vezes, com a secretária do advogado de Barbino, Antônio Amaral. Porém, o advogado não retornou as ligações.

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