No fio da navalha, a profissão de barbeiro sobrevive na experiência de quem aprendeu o ofício na prática. Minervino Pinheiros de Carvalho, 69 anos, por exemplo, descobriu a profissão cortando cabelo e fazendo a barba de colegas da época em que morava no sítio. ''Lá não tinha barbearia, né? Eles gostavam porque não tinham que sair de lá'', conta. Já Virgílio Cremonez, de 67 anos, aprendeu - aos 15 anos - trabalhando num salão. ''Faz 33 anos que estou neste mesmo salão, que agora é meu, mas tenho clientes que fazem barba comigo há 48''.
Na data em que se comemora o Dia do Barbeiro, os dois representam uma classe que tende a desaparecer, uma vez que não há cursos para formar novos profissionais e nem gente interessada em aprender com os mais experientes. ''Eu acho que a profissão de barbeiro vai acabar, porque os meninos novos não sabem fazer barba. Só cortar cabelo'', analisa Cremonez.
O colega de profissão é mais otimista: ''Deve cair bastante a procura, porque a concorrência hoje é grande, mas acho que não vai acabar. Você sabe que na época do Roberto Carlos, quando a mania era deixar cabelo comprido e tudo mais, o movimento era pior que hoje?''. Ele conta que, atualmente, a procura é maior para corte de cabelo, mas há clientes que, religiosamente, duas vezes por semana vão ao salão para fazer a barba.
Cremonez também garante ter uma clientela fixa, mas percebe que esta se restringe a uma classe social bem demarcada. ''Normalmente são as pessoas que têm melhor poder aquisitivo que vêm aqui para fazer barba. Atendo fazendeiros, médicos, professores da universidade. O problema hoje é que os homens chegam aqui e perguntam o preço da barba. Antes, eles chegavam, sentavam, cortavam cabelo, faziam a barba e só depois queriam saber quanto tinha ficado'', conta, com tom frustrado.
Os dois barbeiros são unânimes quando a pergunta é sobre os assuntos mais conversados na barbearia: política, futebol e mulher. ''Política é o que mais se conversa aqui. Ainda mais em época de eleição'', afirma Cremonez, que conta já ter atendido figuras públicas como ''os meninos Richa''. ''A Dona Arlete trazia eles aqui e falava: cuida bem dos meninos, hein''.
Os barbeiros também fazem as vezes de confidentes. ''Aqui é assim, se o cara disser que é corinthiano, eu também sou; se disser que é são paulino, a gente é desde pequeno'', se diverte Carvalho. Mas, em se tratando de futebol, ele guarda um carinho especial pelo Santos. Assim como Cremonez.
Atualmente, o preço da barba em Londrina varia entre R$ 4,00 e R$ 8,00. O corte de cabelo custa de R$ 5,00 a R$ 10,00. Para tentar atrair a atenção de novos clientes, alguns jovens barbeiros inovam. Ronaldo Ribeiro Silva, de 30 anos, oferece penteados estilizados. Com moldes - ou à mão mesmo -, ele faz desenhos nos cabelos dos clientes. ''Aprendi sozinho. Desde os quinze anos eu trabalho em barbearia. Foi um jeito de ganhar dinheiro'', conta.
Baiano, ele veio para Londrina em 1996 em busca de melhores condições de vida. Hoje, já estabilizado, tem esposa, dois filhos, e sobrevive com o que ganha no salão. ''Barba eu acabo não fazendo muito porque tem o Carvalho e o nosso outro colega que são mais experientes e fazem, mas se precisar, eu faço'', garante.

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