Bar de madeira
É um lugar que a gente até pensa em sair mas parece que não consegue. Parece que a gente faz parte disso tudo, da história. A frase dita de forma displicente até saiu da boca da comerciante Norma Walter, 51, que com o marido Reinaldo, 53, e a filha Josi, toca o Bar de Madeira, ponto de referência mais conhecido da Vila Casoni.
É verdade que o botequim de hoje é um pouco diferente daquele que existia há 64 anos, sempre ali na esquina da Rua Caraíbas com Guarani. Mas as madeiras de peroba, mesmo carcomidas pelo tempo, continuam firmes e fortes sustentando a história de mais de uma geração de moradores. É o ponto de referência de toda a região e nem adianta tentar trocar de nome. Todo mundo conhece aqui como o bar de madeira, comemora dona Norma, dona do ponto há 18 anos. Ela confessa que já pensou em reformar, ou mudar mesmo o comércio para outro canto, mas não conseguiu: a freguesia está aqui.
E como são fiéis os fregueses.Avós, que nem moram mais na cidade, de vez em quando aparecem para trazer os netos e bisnetos e mostrar o bar onde compravam doces, conta Josi. O estabelecimento já foi até estrela de documentário. Reportagens então... Perdemos a conta. Até gente de outro país para para fotografar.
Prédio
Bem menos frágil que o Bar de Madeira é o imponente Edifício Sahão, que inaugurou o crescimento vertical de Londrina. Com seus oito andares, em 1952, a propaganda reforçava que era o primeiro arranha-céu do Norte do Paraná. Em 1943, ao chegar em Londrina com o pai Salim Sahão, José Sahão era só um piazinho cheio de sonhos. Lembro que meu pai foi chamado de louco, mas dizia que a cidade iria crescer do prédio dele para cima. E estava certo, recorda hoje José Sahão, no alto de seus 72 anos.
A construção, lembra o filho do empreendedor, foi uma odisseia mas tudo ficou pronto em apenas dois anos. No dia 29 de novembro de 1952, a grande obra de engenharia foi inaugurada. Um prédio destes não se derruba nunca mais. A fundação é feita com aquela pedra-ferro, muito mais resistente. (L.A.)





