Banho não pode passar de 5 minutos
Atender à exigência de consumo prevista no projeto de isenção da taxa de energia elétrica do governo estadual pode exigir alguns sacrifícios. Cálculos feitos junto à Copel mostram que o consumo máximo de 100 quilowatts/hora por mês não permite, por exemplo, que os banhos de uma família composta por quatro membros durem mais do que cinco minutos.
Um chuveiro elétrico com potência de 3.780 watts, se usado por vinte minutos diários durante um mês, consome 40 quilowatts-hora. Já um ferro de passar roupas (1.000 watts de potência), usado durante uma hora por semana, arcaria com 4 quilowatts-hora no final do mês. O refrigerador mais simples, de uma porta, ligado por apenas 8 horas e meia por dia, somaria 28 quilowatts/hora a cada mês. Se a família assistir à televisão quatro horas por dia, terá gasto ao final do mês de mais 10 quilowatts/hora. Considere-se ainda um outro item indispensável: as lâmpadas. Somente duas lâmpadas incandescentes de 60 watts respondem, a cada mês, por 18 quilowatts-hora. Total dos exemplos citados: 100 quilowatts-hora/mês.
Alguns minutos a mais de banho, um filme depois da novela das oito ou uma calça passada com mais primor poderiam tirar de uma família o direito à isenção de taxa. No caso dos moradores do assentamento Novo Amparo 2, fica mais fácil não exceder o consumo máximo exigido. A ligação comunitária de energia elétrica, muito precária, não permite que eles tenham chuveiros, que correspondem a 25% do consumo médio das famílias. ''E mesmo se tivesse chuveiro, não há água!'', lembram ironicamente os moradores, enquanto quebram a cabeça para descobrir como vão pagar as contas de luz atrasadas.





