Banhistas ignoram poluição no Igapó
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segunda-feira, 20 de novembro de 2000
Cláudia Barberato De Londrina 
Ignorando o problema de poluição do Lago Igapó, muitos banhistas ontem aproveitaram vários pontos do lago para se refrescar do calor. Também aumentou o número de pescadores. No domingo, o Igapó transforma-se num ponto de lazer para muitas famílias de Londrina.
Os meninos Juliano Cabral e Leandro Bittencourt, mesmo sabendo do problema da poluição no lago, causado pelo vazamento de dejetos industriais a partir do Córrego Cacique, durante a semana passada, não deixaram de fazer ontem seus habituais mergulhos. Sempre foi assim, sujo. O máximo que dá é micose, afirmou Juliano.
O pescador João Batista da Silva e o filho Josiel chegaram cedo ao Igapó 1. Próximo da ponte da Avenida Higienópolis, encontraram peixes e um pato morto. De lá, foram para o Igapó 4, onde conseguiram pegar pequenos lambaris.
Segundo João Silva, os peixes não serão consumidos pela família. Alertado sobre a poluição, disse: Vou dar para os gatos. Segundo o pescador, o peixe se conhece pelo olho. Olho de peixe que tá meio branco é porque morreu de poluição, mostrando um dos peixes que pescou.
A poucos metros dali, os meninos Leandro Soares da Silva e Everson Souza Santos acharam mais um peixe morto, de aproximadamente 10 quilos, igual ao que foi encontrando no sábado. A morte do peixe, segundo técnicos do IAP, foi provocada pela falta de oxigênio na água.
De acordo com o engenheiro-civil Marcelo Fernandes, o Lago Igapó recebe diariamente outras fontes poluidoras. Mas só quando o vazamento é grande é que alguma providência é tomada, afirmou. Segundo ele, seria preciso maior vigilância de outras fontes poluidoras e multas pesadas.
Outra forma de cuidar melhor do lago, de acordo com Vania e Fernando Alcântara, que utilizam a área para caminhadas, seria conscientizar as pessoas que frequentam o local. É comum ter muita sujeira nas beiradas, afirmou Fernando. Vania acrescentou que a limpeza poderia ser redobrada no local.
Ontem pela manhã os técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), de Londrina, fizeram nova coleta da água do Igapó. A chuva na tarde de sábado, segundo Deodoro Kuwabara, diluiu ainda mais a poluição causada pelo vazamento de dejetos industriais.
Na região do Igapó, próximo ao Corpo de Bombeiros, segundo o técnico do IAP, como o volume de água é maior, o problema pode ter estancado e talvez não atinja o Igapó 1 como era previsto.
No Igapó 1, ontem pela manhã, de acordo com avaliação preliminar do IAP, o nível de oxigênio da água parecia estar dentro do tolerável. Para determinar que a água estaria imprópria para banhos, por exemplo, seria preciso fazer outra avaliação, o que não é da competência do IAP.
O técnico Kuwabara adiantou que o resultado dos exames que definem o nível de oxigênio da água poderão estar concluídos até amanhã e, na sexta-feira, haverá um relatório completo com informações, inclusive, do nível de acidez. Sabe-se que no Igapó 4, o nível de oxigênio da água chegou a zero, o que é fatal para peixes e toda a vida aquática.


