Londrina – As inscrições na parede do banheiro público da Praça da Bandeira, no centro de Londrina, são claras. "Dê descarga como faria na sua casa." Nem todos os usuários, no entanto, dão importância à solicitação. Na ala masculina, de quatro cabines com vasos sanitários, três estão entupidas. Também há vazamentos e torneiras danificadas. Na parte destinada às mulheres, também há defeitos. Os problemas até poderiam ser considerados pontuais, caso houvesse outro sanitário público à disposição de quem passa pela região. Mas não é o que ocorre.
O banheiro público desta praça é o único disponível para quem circula pelo centro da cidade. A falta de manutenção e de outras alternativas nas proximidades gera desconforto e reclamações entre os usuários. "É pior do que entrar num chiqueiro", comenta o aposentado João Júlio Konopka, de 56 anos, ao observar que é comum ver dejetos na entrada do local, antes da abertura pelos funcionários responsáveis pela limpeza. "A porta já está até corroída de tanta urina."
Na hora do aperto, muita gente tenta dar um jeito para não precisar usar o banheiro nestas condições. Há quem recorra ao shopping mais próximo ou peça permissão para usar o sanitário de algum restaurante ou lanchonete. O aposentado Edson de Oliveira, de 70, avalia que o ideal seria a Prefeitura investir na construção de mais banheiros. "Do jeito que está ninguém pode ter um problema na barriga enquanto estiver na rua", brinca.
A dona de casa Beatriz Ferreira, de 68, relata que a alternativa que utiliza quando está no centro e precisa usar o banheiro é ir até o terminal urbano de transporte coletivo. "Ou então, tem que esperar chegar em casa", pontua.
Não é só no centro que faltam banheiros públicos. Áreas de grande circulação de pessoas e Londrina, como o Lago Igapó e o Zerão, que chegou a ter estrutura fixa com sanitário público, também carecem da estrutura. Estas áreas chegaram a receber banheiros químicos, mas a oferta está restrita a finais de semana, período em que a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) acredita que o fluxo de pessoas por ali é maior.

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