Banheiros: problema para usuários e lojistas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 26 de abril de 2007
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
A falta de banheiros públicos em boas condições de uso no Centro da cidade tem gerado um ônus extra aos lojistas, o que está levando alguns à medida extrema de restringir o uso dos sanitários apenas a seus funcionários. Isso porque as lojas que oferecem o serviço para seus clientes têm que atender também às necessidades de centenas de pessoas que transitam pela região, trabalhando informalmente ou simplesmente passeando. A principal reclamação dos gerentes é que com isto há um gasto excessivo com serviços de manutenção e compra de materiais de higiene e limpeza, além de furtos.
Recentemente, uma loja de departamentos que passou por reformas se viu diante de um impasse. Se mantivesse o banheiro no mesmo local, com fácil acesso para qualquer pessoa que entrasse na loja, em pouco tempo, segundo a gerência, o local estaria deteriorado. A saída foi instalar o banheiro em um local mais discreto e, em alguns casos, instruir os funcionários a dizer que o local não contava mais com banheiro. O controle, porém, é difícil. ''No último sábado, encontramos duas etiquetas eletrônicas nos encanamentos dos vasos sanitários. São pessoas que entram no banheiro com a mercadoria para se livrar do dispositivo anti-furto'', informou o gerente Delso Borges de Oliveira.
Antes da reforma, a loja mantinha banheiros no primeiro e segundo andares. ''No primeiro andar, assim que abríamos a loja formava-se uma fila para uso do banheiro. Eram vendedores autônomos, funcionários de lojas menores, gente que entrava para fazer a barba, consumir drogas, até pichação foi feita na parede. Resolvemos então manter apenas o do segundo andar, que foi todo reformado e melhor equipado'', explicou Oliveira.
Em outra loja de departamentos, o gerente vive situação semelhante. ''A maioria das pessoas que entra na loja não é para comprar, e sim para usar o banheiro. Temos que limpar três, quatro vezes ao dia, e ainda tem gente que reclama de ter que esperar pela limpeza. A sujeira que fazem é muito grande, roubam os rolos de papel, já encontramos revistas pornográficas e flagramos pessoas fazendo sexo. Tem sido um problema para nós. O município teria que oferecer banheiros públicos dignos'', argumenta o gerente, que prefere não se identificar.
Próximo dali, em uma loja de utilidades domésticas, o gerente só permite o uso do banheiro para pessoas que estão comprando no estabelecimento. ''Todas as vezes que permitimos o uso para outras pessoas, tivemos problemas. Então, quando percebemos que não é cliente, indicamos o banheiro da praça. O problema é que todo mundo reclama da sujeira de lá'', conta o gerente, que também pede para não ser identificado.
A reportagem percorreu os banheiros públicos existentes no Calçadão e constatou as péssimas condições de uso. Na Praça Marechal Floriano Peixoto, dos seis sanitários da ala feminina, apenas três funcionam, precariamente. Os outros estão com encanamentos quebrados e tomados por entulhos. A limpeza é mantida com sacrifício por dona Ana Ribeiro, de 81 anos. Ela garante que trabalha há 40 anos no local, e que compra o material de limpeza com a taxa cobrada dos usuários (R$ 0,30). À noite o local permanece aberto, já que não há porta.
No banheiro próximo à Rua Professor João Cândido a limpeza fica a cargo de Antonia Virgínia Ramos, de 60 anos. ''Tem dia que eu choro quando entro aqui, de tanta sujeira que vejo'', revela, para dar uma idéia da falta de educação dos usuários. Ela passa o dia na porta do banheiro masculino, onde também cobra R$ 0,30 pelo uso. Quem quiser usar o sanitário ao lado, destinado às mulheres, tem que pedir a chave. ''Eu chego de manhã e limpo os dois, mas não tenho como cuidar de um e de outro. Então tranco o de lá'', explica. À noite, ambos ficam abertos, ''porque senão o pessoal quebra tudo''.
Segundo o secretário municipal de Obras, Aloísio Crescentini de Freitas, o projeto de revitalização do Calçadão (que ao todo possui três banheiros públicos) está sendo preparado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano (Ippul) e prevê a manutenção de apenas um banheiro, que é o da Praça Marechal Floriano. ''Os outros serão eliminados. Hoje eles contribuem para a poluição visual do Calçadão'', completa o secretário.
Freitas informa ainda que, após a reforma, o banheiro provavelmente será administrado pela iniciativa privada. ''Ainda não sabemos como isso será feito, mas vamos ter estudar uma forma que garanta também a segurança, 24 horas por dia.''


