Banestado propõe ajuda a dekasseguis
PUBLICAÇÃO
domingo, 02 de agosto de 1998
Osmani Costa 
A direção do Banestado manteve contatos, nos últimos dias, com diretores da Empresa Brasileira de Telecomunicações (Embratel) e da KDD - empresa estatal japonesa de telecomunicações - para abrir negociação com o objetivo de promoverem conjuntamente videoconferências entre algumas cidades do Paraná e do Japão.
Nestas videoconferências, as famílias brasileiras poderão manter contatos ao vivo - através de som e imagens projetadas em telão - com os seus parentes dekasseguis que estão desempregados no Japão. A idéia das videoconferências foi apresentada pelo Banestado e muito bem recebida na última quinta-fera, durante o lançamento da campanha jornalística SOS Dekassegui.
A campanha é um apoio da Folha de Londrina/Folha do Paraná à Operação Resgate, promovida pela Associação dos Imigrantes no Japão (Asibras) para o repatriamento de brasileiros que foram trabalhar no Japão e encontram-se desempregados em consequência da crise econômica asiática.
A operação é uma parceria da Asibras com a Vasp - que baixou em 50% o preço da passagem aérea entre os dois países - e a cooperativa de médicos nipo-brasileiros (Nipomed), e trouxe de volta ao Brasil em julho 12 dekasseguis, entre os quais cinco londrinenses. Há estimativas de que cerca de 30 mil dekasseguis - dos 260 mil que foram para o Japão nos últimos 11 anos - estão desempregados e vivendo em condições precárias.
Estes milhares de paranaenses, que ao longo dos últimos anos ajudaram no desenvolvimento do Japão com o seu trabalho e do nosso Estado, com o envio de muito dinheiro, merecem e terão do Banestado toda a atenção e o apoio neste momento difícil, comenta o gerente de câmbio da agência centro do Banestado em Londrina, Edenir Ramos, que coordena a equipe do banco que ultima as negociações para a realização da primeira videoconferência. Por nós, faremos esta conferência, como prestação de serviço humanitário e de utilidade pública, o mais rápido possível; e na sequência faremos tantas quantas forem necessárias. Só estamos dependendo da liberação da Embratel.
O Banestado já tem experiência na promoção deste tipo de videoconferência internacional em parceria com a Embratel. Desde o final do ano passado, durante as comemorações de Natal, o banco - com o auxílio da KDD japonesa - já realizou nove destes contatos televisivos entre dekasseguis e seus familiares no Paraná: quatro em Maringá, três em Londrina e duas em Curitiba.
Todas elas tiveram também um caráter comercial e foram consideradas bem-sucedidas pela direção do Banestado, que possui milhares de clientes entre os dekasseguis e suas famílias. Estas conversas entre as famílias e seus parentes que foram trabalhar no Japão são sempre muito proveitosas e emocionadas, porque alguns não se vêem há anos. O Banestado se orgulha de poder oferecer seus serviços para este tipo de contato entre os brasileiros, por mais distantes que eles se encontrem e independente dos fins lucrativos, afirma Edenir Ramos.
Os custos das operações - que dependem de alta tecnologia e de uma linha exclusiva entre o Brasil e Japão através de satélite - foram sempre divididos e bancados pelo Banestado e Embratel, sendo totalmente gratuitos para os usuários. A dúvida que o gerente de câmbio do banco diz ter é se a direção da Embratel - após ter sido privatizada na última semana - manterá interesse neste tipo de parceria e de prestação de serviço de caráter social.


