Banestado é assaltado novamente. Delegado critica direção de bancos
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terça-feira, 04 de fevereiro de 1997
Paulo Ubiratan 
Warren NabucoInsegurançaApós o roubo, policiais estiveram no posto bancário, mas nada puderam fazer; o clima entre clientes e funcionários era de revoltaTrês homens armados com revólveres assaltaram, no início da tarde de ontem, a agência do Banestado da avenida Saul Elkind (zona norte). Eles roubaram R$ 7 mil em dinheiro e um malote com documentos de cobrança. Os ladrões primeiramente renderam o vigia, do qual roubaram um revólver calibre 38. Durante o assalto, um dos assaltantes encostou a arma na cabeça de um funcionário e o ameaçou de morte. No momento do roubo, estavam na agência quatro funcionários e 20 clientes. Ninguém ficou ferido. Os ladrões fugiram em duas motocicletas CG-125, uma de cor preta e a outra azul. Eles foram perseguidos por um cabo da Polícia Militar que estava na agência à paisana, mas conseguiram fugir.
Após o roubo, o clima era de revolta e pavor. Funcionários e clientes reclamavam da falta de segurança nos bancos e a despreocupação das autoridades diante do problema. É a segunda vez que sou assaltada nesta agência (o outro assalto foi no final do ano passado) e nada foi feito para preservar nossa integridade física e psicológica, afirmou a cliente Lurdes Alcântara de Souza. Garanto que se algum diretor de banco passasse pela mesma situação de pavor que passamos iria ligeirinho tomar providências para resolver o problema.
O delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial, Leonyl Ribeiro, também estava revoltado com o novo assalto e afirmou à Folha que a responsabilidade pelos roubos recai diretamente sobre as direções dos bancos, que segundo ele não se preocupam em colocar segurança nas suas agências. Eu não entendo como esta situação pode continuar, mesmo com os bancos levando prejuízos. E parece que não se preocupam com o problema, observou o delegado. Ele evocou a lei 9.017, de 30 de março de 1995, que proíbe o Instituto de Resseguro do Brasil de pagar apólice de roubo quando a entidade não obedecer os requisitos de segurança contra assaltos.
Leonyl Ribeiro disse que a maioria das agências bancárias, em Londrina, não oferece as mínimas condições para operar com segurança, pois desobedece a lei 9.017. A lei diz que os bancos devem possuir vigilantes preparados, alarmes, sistema de filmagem, artefatos que retardem a ação dos ladrões e cabines internas blindadas. O delegado toma como exemplo a agência do Banestado assaltada ontem, que não possui nenhum desses sistemas de segurança.
Hoje à tarde, Leonyl Ribeiro vai se reunir com os delegados da região para uniformizar o trabalho contra os assaltos a bancos. Uma das providências que já está sendo tomada: os delegados deverão ouvir os gerentes de bancos nos inquéritos dos assaltos. Serão chamados também representantes de seguradoras, para que diga, se realmente estão sendo pagos seguros de roubo para bancos sem segurança.


