‘Atirar contra uma pessoa tão boa. A gente nem pode mais sair de casa’’. Esse foi um dos comentários feitos por uma amiga da família do padeiro Renato Mendes, 45 anos, morto com um tiro no peito na madrugada de ontem, durante uma confusão ocorrida no Restaurante Toca do Cateto, no Patrimônio Heimtal (Zona Norte de Londrina). Emocionados e abalados com a tragédia, irmãos e filhos, que velavam o corpo de Mendes na manhã de ontem no Cemitério Jardim da Saudade (Zona Norte), não quiseram comentar o caso.
  Mendes era um dos freqüentadores do restaurante, bastante conhecido por ter um ambiente familiar, e estava no local no momento em que dois bandidos entraram no salão cheio de gente, atirando para todos os lados. Segundo informações da Polícia Militar, tratava-se de um acerto de contas. Os bandidos queriam matar Anderson Ferreira dos Santos, um jovem de 23 anos que tinha uma extensa ficha na polícia. Ele era suspeito de homicídios e de envolvimento em roubos.
  Depois de executar Santos com 23 tiros, os bandidos, armados com duas pistolas, continuaram a disparar contra as pessoas, matando, além do padeiro, o jovem João Rafael Zanin Bueno, 27 anos, e deixando Erickssen Gabriel de Almeida, 20 anos, ferido na perna. Os bandidos teriam fugido num veículo Kadet, cor prata, e até o final da tarde de ontem a polícia não tinha pistas dos criminosos.
  A noite, que deveria ser de diversão e lazer para as pessoas que freqüentam o restaurante, deixou os moradores do Heimtal assustados. Funcionários que moram próximo do restaurante e trabalham no local há anos, disseram que nunca havia acontecido algo parecido. ‘‘Foi horrível e tudo foi muito rápido. Eles não paravam de atirar e a gente só via gente correndo para todo o lado’’, comentou uma funcionária, que preferiu não se identificar.
  Muito amigo dos moradores do Conjunto Maria Cecília, onde trabalhava como padeiro há 15 anos, Mendes morava com quatro filhos no Conjunto Vivi Xavier (Zona Norte). O casal Clébio Luis e Silvia Helena Vicente, que arrendou a padaria de Mendes, recebeu a notícia da morte do padeiro logo pela manhã. ‘‘Arrendamos a padaria dele há cerca de dez meses e ele ficou só com a produção dos pães. Ele vendia pães para várias padarias. Era uma pessoa muito boa, tranqüilo e amigo de todos’’, comentou Vicente. Ele contou que o padeiro ia à Toca do Cateto geralmente às sextas-feiras, com os filhos. ‘‘Ontem mesmo ele só não levou os filhos porque eles ficaram fazendo pão’’, disse.
  Abalado com a notícia da morte do padeiro, o morador do Conjunto Maria Cecília, João Maria do Camargo, foi logo cedo até a padaria confirmar
a morte do amigo. ‘‘Quando ouvi falando que um Renato tinha sido baleado nem imaginei
que fosse ele. Era uma pessoa legal demais. Não estou nem acreditando’’.
  No Cemitério Parque das Oliveiras (Zona Leste), a família de João Rafael Zanin Bueno lamentava a morte do jovem que trabalhava como auxiliar contábil na empresa Transportes Coletivos Grande Londrina. Sobrinho do proprietário do restaurante, José Gavilan, o rapaz foi atingido com um tiro na cabeça e morreu pouco depois na Santa Casa. Completamente abalado com a morte do irmão, Gilberto Silva Martins, que estava no local na hora da tragédia, contou que eles chegaram com um grupo de oito pessoas e que já iam saindo quando Bueno foi baleado. ‘‘A gente tinha acabado de acertar a conta. Na hora da confusão, tentamos nos abaixar e de repente vi que ele tinha sido atingido. Foi horrível’’.
  A família de Bueno autorizou a doação dos órgãos do rapaz. Os médicos conseguiram retirar as córneas e válvulas cardíacas. Segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, os outros órgãos não puderam ser aproveitados.
  Segundo outro irmão de Bueno, o agricultor Sérgio Zanin Bueno, o proprietário do estabelecimento deu todo o atendimento às vítimas. ‘‘O pessoal do restaurante fez tudo o que podia. Foi uma tragédia, ninguém esperava isso. Lá é um ambiente familiar, nunca teve problemas’’, disse.
  A reportagem da FOLHA procurou mais detalhes sobre o caso na 10ªSubdivisão Policial, porém, a unidade estava trabalhando em esquema de plantão no dia de ontem devido feriado da emancipação política do Paraná. Por isso, a Delegacia de Homicídios estava fechada.

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