Bandidos ameaçam atear fogo em freiras
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segunda-feira, 12 de março de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Entidades religiosas de Londrina estão em pânico. Depois dos Freis Menores Missionários, que no mês passado viraram reféns de assaltantes, foi a vez das Irmãs Missionárias Claretianas serem aterrorizadas por bandidos. Uma representante da congregação ouvida pela FOLHA suspeita que os crimes estejam sendo cometidos por uma mesma quadrilha.
Na noite do último sábado, três homens armados invadiram uma das comunidades claretianas, na região da Gleba Palhano (Zona Sul), após render o caseiro no portão. Primeiro, roubaram a casa do empregado. Depois, obrigaram-no a chamar pelas freiras, que abriram as portas e também foram rendidas. Ali teve início um dos piores momentos da vida das nove religiosas, todas idosas e algumas doentes.
''Colocaram o caseiro, sua esposa e seu filho amarrados no meio da sala. Depois pegaram duas irmãs, jogaram álcool sobre elas e ameaçaram atear fogo'', contou a irmã Ana Bruscato, que não estava no local, mas falou em nome das companheiras. Segundo ela, o telefone foi cortado e a casa completamente revirada. Além de revólveres, o bando carregava uma faca, com a qual bateu nas reféns.
''Elas não sofreram grandes ferimentos, mas o trauma psicológico foi imenso. Uma delas quase sofreu um infarto'', relatou. Os ladrões levaram um veículo da comunidade, carregado com aparelhos eletrônicos, além de vários equipamentos e dinheiro da família do caseiro.
O crime foi o mais recente de uma série sofrida pelas claretianas. Em outubro de 2005, assaltantes aterrorizaram irmãs durante três horas no Lar Santo Antônio, também na Zona Sul. Em janeiro de 2006, a própria irmã Ana foi vítima de ladrões no santuário da congregação, também na Zona Sul. Pouco tempo depois, o alvo foi o asilo. Pelo modo de ação dos bandidos, ela acredita que uma mesma quadrilha tenha cometido esses crimes e até o roubo aos Freis Missionários no Conjunto Jamile Dequech (Zona Sul), noticiado pela FOLHA no último dia 28 de fevereiro.
''A história se repete: a polícia vem, faz o relatório, nós colocamos cerca elétrica, grade, e ficamos esperando pela criatividade dos ladrões para cometer o próximo roubo'', comentou a freira. ''Temos a sensação de viver numa terra de ninguém, sob o poder do mal'', desabafou.
Para o padre Romão Antônio Martini Martins, ecônomo da Cúria Metropolitana e pároco da igreja Nossa Senhora da Auxiliadora, a resposta imediata para ''essa insegurança fora de controle'' seria mais policiamento. A solução, contudo, passa por políticas sociais. ''A violência é consequência da falta de educação, de emprego. E para obter o que quer, os ladrões não perdoam nem as pessoas que vivem para fazer o bem'', comentou.
O padre lembrou que a própria Catedral foi arrombada na semana retrasada, enquanto fiéis faziam uma vigília pela paz. ''As igrejas procuram se precaver como podem, já que a segurança na cidade está largada'', sublinhou.
Na ocasião do roubo aos franciscanos, o chefe da Polícia Civil, Sérgio Luiz Barroso, prometeu investigar o caso. O relações públicas da Polícia Militar, tenente Ricardo Eguedis, disse que o policiamento seria intensificado na Zona Sul. Os religiosos continuam rezando para que isso aconteça.


