Nos ares da Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, o primeiro grupo de aviação de caça da Força Aérea Brasileira (FAB) bradava ''senta a pua!''. Era o grito de guerra dos pilotos tupiniquins, que acabou se tornando o lema de todos os aviadores da FAB.
Por isso, a frase que sintetiza a vontade de vencer em cada missão está escrita em todos os cantos da Base Aérea de Santa Cruz (Basc), no Rio de Janeiro, onde o idealismo daqueles que vão para dentro das aeronaves parece continuar em alta. Porém, os equipamentos à disposição para a defesa territorial do país dão sinais de incompatibilidade com o lema dos aviadores.
Um caso que chama a atenção é o do 4º Esquadrão do 7º Grupo de Aviação, responsável pela patrulha das 200 milhas de mar territorial em uma faixa que vai do sul da Bahia ao Estado de São Paulo, justamente onde estão as grandes jazidas submarinas de petróleo anunciadas recentemente pela Petrobras e onde existe um volume intenso de tráfego marítimo.
Para a patrulha e também para o resgate de náufragos, outra missão do 4º Esquadrão, os aviadores contam apenas com os velhos Bandeirante P-95, os ''bandeirulhas'' - mistura de Bandeirante com patrulha -, fabricados pela Embraer há quase 30 anos. Os 29 pilotos se revezam em três das cinco aeronaves que estão em condições de voar.
''Estacionados'' dentro do enorme hangar que um dia serviu aos dirigíveis da companhia alemã Luftschiffbau Zeppelin, os bandeirulhas evidenciam a carência técnica para a missão que lhes cabe. ''Os foguetes que nós temos para ataques a embarcações são mais perigosos para nós do que para as embarcações, pois o alcance deles é muito curto, fazendo com que tenhamos que ficar próximos demais do alvo e correndo grande risco de sermos abatidos'', destacou um dos pilotos para a comitiva da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (Adesg) de Londrina, que contou com jornalistas da FOLHA, dias atrás.
Com quatro mil horas de vôo no currículo, boa parte delas a bordo de caças supersônicos, o comandante da Basc, coronel aviador Gilson Caputo Junior, concorda que está na hora de a patrulha do mar territorial brasileiro ganhar novos elementos nos ares.
''O 4º esquadrão do 7º Grupo de Aviação são os olhos da pátria dentro das 200 milhas. Por isso, eu defendo que esse grupo precisa ter uma aeronave melhor. Ali temos pessoas que estão com vontade de defender a soberania'', comentou Caputo Junior em entrevista exclusiva à FOLHA. No entanto o comandante ressalta que a esperança de melhores condições de equipamentos para o pessoal que vigia a costa tem nome: P-3 Orion.
São oito aeronaves, compradas da Marinha dos Estados Unidos, que estão passando por um processo de modernização. Os Orions são considerados bons aviões de patrulha pelas forças aéreas do mundo todo, mas também já passaram da fase da ''adolescência''. Há militares, sempre pedindo anonimato, que consideram que a fase de ouro desses aviões já passou. Outros dizem que o importante não é a casca, mas a tecnologia embarcada.
Os outros três esquadrões de patrulha marítima da FAB distribuídos pela costa brasileira também aposentarão alguns dos bandeirulhas, provavelmente, em 2009 ou 2010, em um processo de ''troca gradativa'', segundo Caputo Junior.

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