Bandeirantes é a primeira da região nos índices de Covid-19

Município do Norte Pioneiro tem mais de mil casos confirmados e 33 mortes; para diretor da RS uma das razões é que a população passou por uma fase de incredulidade sobre a doença

Laís Taine - Grupo Folha
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Bandeirantes tem 31.211 habitantes: é o segundo maior município entre os 21 que compõem a 18ª Regional de Saúde
Bandeirantes tem 31.211 habitantes: é o segundo maior município entre os 21 que compõem a 18ª Regional de Saúde | Sergio Ranalli - Grupo Folha - 19-07-2015
 


Com 31.211 habitantes, Bandeirantes (Norte Pioneiro) é o segundo maior município entre os 21 atendidos pela 18ª Regional de Saúde do Paraná, mas nos índices da Covid-19, a cidade ultrapassou Cornélio Procópio, que tem 16.631 habitantes a mais e 491 casos positivos a menos que a vizinha. Bandeirantes também ultrapassou as cidades da região em número de mortes, com 33 registros desde o início da pandemia. Após período crítico no mês de setembro, a cidade teve que tomar medidas restritivas para reduzir a curva de infecção, que agora apresenta estabilidade. 




“A situação de Bandeirantes hoje é que há casos ativos, mas melhorou. O município está estável, mas não chega a registrar quedas”, avalia Cláudio Cordeiro da Silva Filho, diretor da 18ª Regional de Saúde. No último boletim, a cidade apontou 1.063 casos confirmados e 33 mortes, o que chama atenção pelo tamanho do município.  




O diretor argumenta que a cidade realiza muitos testes RT-PCR e por isso teria maior número de confirmações, porém, a cidade também é a primeira no registro de mortes da região. “A taxa de mortalidade lá é elevada, mas é um município de grande número de coleta, com equipe que trabalha muito", afirma. 


COMPORTAMENTO

O diretor aponta o fator comportamental da sociedade como forte influência sobre os números. Ele cita que a população passou por uma fase de incredulidade sobre a doença e que em alguns municípios menores, apesar de todo trabalho das equipes de saúde, há barreira para disseminar as informações sobre a Covid-19.  


“Cornélio é uma cidade maior, possui mais rede de mídias de divulgação. Bandeirantes, por ter um pouco menos de informação, não pelos órgãos, mas pelos veículos de informação, pode ser que tenha impactado na incredulidade da população. Lá faltou mais empenho em permanecer em isolamento, em respeitar medidas de prevenção. Hoje, as medidas de prevenção são o que a gente tem de mais eficaz, o que provavelmente não ocorreu em alguns casos no município de Bandeirantes”, afirma. 


O que pode estar relacionado a outra peculiaridade da cidade. A fase mais crítica da Covid-19 na maioria dos municípios do Paraná foi entre maio e julho, o que não ocorreu em Bandeirantes. “Não houve esse aumento nesse período, foi mais tardiamente em relação aos outros municípios”, aponta.  


O período com maior volume em número de casos se deu no mês de setembro, em que o município registrou uma média de até 14,3 casos por dia e nove mortes registradas no mês. Em outubro, esse índice caiu para 5,64 casos por dia, mas as mortes se mantiveram, com oito registros até agora.  


MEDIDAS RESTRITIVAS

Segundo Cristiane Caçador, secretária municipal de Saúde, os resultados se devem às últimas medidas restritivas, como o toque de recolher das 22h30 às 5h, no decreto do dia 18 de setembro e que teve seu período estendido por mais sete dias durante o mês de outubro. “Nós tivemos 21 dias de medidas restritivas, com proibição de bebidas alcoólicas em áreas públicas, fechamento de praças, parques públicos, entre outras medidas, e tivemos esse resultado”, afirma a secretária. 



A secretária municipal de Saúde, Cristiane Caçador,  menciona o período de alta preocupante no último mês em Bandeirantes, mas que foi necessário realizar novas ações para conseguir reverter a situação, tendo como apoio um comitê de enfrentamento ao Covid-19, que faz reuniões semanais para analisar os dados gráficos para tomada de decisões. Caçador também afirma que, apesar dos decretos que ocasionaram a diminuição dos números, percebe que devido aos feriados houve aumento da procura de atendimento na clínica de atendimento exclusivo a pacientes com sintomas de síndrome respiratória. 


Outro trabalho apontado pela secretária foi o de coleta de exames e busca ativa de pacientes de grupo de risco. “Tivemos muita coleta no município, mas tivemos também muitos óbitos, infelizmente. Estamos em serviço de monitoramento dos casos em domicílio agora, com uma equipe volante, que se desloca até a residência de pessoas que estão na faixa do grupo de risco para buscar os contatos e acompanhar mais de perto”, menciona. 


Com os números estáveis, o município afrouxou algumas medidas, como ampliação do horário de funcionamento de bares e restaurantes para até 23 horas, como também houve ampliação do horário do comércio no sábado que antecedia o Dia das Crianças. “Não temos agora estimativa de ter novas medidas de restrição, mas mantemos o alerta para a população, de procurar pela clínica no início de qualquer sintoma. O serviço de vigilância continua atuando, com equipe de monitoramento presencial, que tem tido bastante resultado. Não é porque caíram os números que devemos relaxar agora”, argumenta. 


O município possui seis UBS (Unidades Básica de Saúde), o Hospital Santa Casa e Unidade de Pronto Atendimento, mas os pacientes que tiverem sintomas respiratórios devem procurar a clínica anexa ao campus da Uenp (Universidade Estadual do Norte do Paraná), que está com atendimento exclusivo.  





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