Imagem ilustrativa da imagem Banda e concursos animam pré-carnaval na praça
| Foto: Roberto Custódio/Divulgação




Londrina já teve carnavais bem movimentados. Nas ruas ou nos clubes, a animação tomava conta, com bandas de música, blocos e foliões fantasiados. Durante muitos anos, desfiles de escolas de samba também garantiam a animação do público nos dias de folia. Mas com o tempo, os bailes nos clubes foram ficando mais escassos, as agremiações não pisaram mais na avenida e hoje são poucas as opções para quem quer curtir o carnaval.

Para tentar resgatar o espírito carnavalesco dos londrinenses e retomar a tradição das festas de rua, a Adecom (Associação de Democratização da Comunicação) organizou, neste sábado (23), um carnaval de rua com banda de música, concurso de samba, fantasias e escolha do rei e da rainha da folia. O evento aconteceu pela manhã, na Praça da Bandeira. No fim da tarde, a partir das 17h, a animação toma conta da praça da igreja no distrito de Guaravera. No domingo (24), os foliões estarão nas ruas do conjunto Cafezal 3 (zona sul).

A Adecom é uma entidade que atua na zona sul de Londrina há nove anos e mantém um centro cultural no conjunto Saltinho que oferece capoeira, zumba e dança de salão para crianças, jovens e adultos. Em 2015 e em 2016, a associação promoveu o Carnaval das Marchinhas e, neste ano, organizou o Bloco Folia da Cidadania, sempre com patrocínio do Promic (Programa Municipal de Incentivo à Cultura). "Muitos londrinenses viajam no feriado, mas têm vontade de pular o carnaval, então fizemos o pré-carnaval para que as pessoas pudessem participar", disse a presidente da Adecom, Maria Inez Gomes.

No repertório da banda, marchinhas antigas e samba. Acompanhadas por instrumentos de percussão e metais, as mulheres da família Nogueira empunharam o microfone e puxaram as músicas. Durante a semana, Valdinéia Nogueira Lino trabalha como copeira hospitalar, mas nos dias de descanso se diverte no samba. Ao lado das irmãs, a dona de casa Valdelice e a enfermeira Valdeci Nogueira, e da cunhada, a funcionária pública Angela Maria Souza, Lino solta a voz na tentativa de fazer vibrar o público que timidamente chega para acompanhar a festa. "Nossa família tem tradição no samba. A gente sente muita saudade das festas de carnaval que aconteciam antigamente em Londrina e sempre participava. Hoje, a gente assiste pela televisão e chora por não ter um carnaval aqui."

Vestida de Colombina, Valdeci, que prefere ser chamada de Val, desfilava na escola Quilombo dos Palmares, onde foi rainha da bateria, e na Gaviões Londrinense, onde saía como passista. "Eu desfilava de fio dental quando nem existia fio dental aqui em Londrina. Era até proibido. Só podia usar se saísse em cima do carro alegórico, mas como em cima do carro não dava para sambar, a gente entrava na avenida em cima do carro e logo descia para a pista. Adoro sambar", contou.

A auxiliar de cozinha Júlia Bispo também não dispensa um bom samba. Neste sábado, ela se inscreveu no concurso de rainha e mostrou ao público a desenvoltura no ritmo, hoje restrita à quadra da escola de samba Explode Coração, da zona leste. "Temos cerca de 500 componentes e ensaiamos quando temos apresentações em outras cidades. É uma pena não ter mais carnaval de rua em Londrina. O carnaval é alegria, espanta tudo o que é ruim", disse.

Se depender da pequena Thereza Rafaella Damásio Carrinho, de nove anos, o samba em Londrina vai longe. Fantasiada para o concurso, ela participou pela primeira vez de uma festa de carnaval e estava animada. "Eu gosto de ver pela televisão. Acho o carnaval uma festa muito legal." Atendendo às exigências do concurso, que determinava que as fantasias fossem feitas com materiais recicláveis, Thereza estava toda de rosa, com um vestido feito de copos plásticos, lacres de latas de alumínio e fitas.

O público foi escasso, mas boa parte dos que apareceram foi levada pelo saudosismo. A aposentada Alda Silva ouviu de longe uma marchinha e se aproximou para ver o que era. "Não tem como não gostar dessas músicas. A gente nem sabe como aprendeu, mas está lá, na cabeça, e quando vê já está cantando."

A professora aposentada Elvira Lopes foi à praça acompanhada da filha e da neta e lamentou as poucas opções que a cidade oferece para quem fica na cidade e quer aproveitar o carnaval. "Londrina deveria fazer mais festas na rua. Quando meus filhos eram pequenos, tinha festa na avenida Maringá. Mas as pessoas não valorizam o samba na nossa região, o que é uma pena."

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