Bancos precisam de doadores constantes
Maigue Gueths
De Curitiba
A doação de sangue espontânea e constante seria a salvação dos bancos de sangue do Estado. Só em Curitiba, calcula-se que estes locais precisariam no mínimo de mais 2 mil doadores mensalmente para poder atender com mais facilidade os pacientes submetidos a cirurgias ou a transfusões nos hospitais da cidade. Este número, na verdade, é ainda maior, já que a maioria absoluta das pessoas que doam sangue é eventual, ou seja, doa apenas para ajudar algum amigo ou parente que necessita de doação.
O Instituto Paranaense de Hemoterapia e Hematologia Hemobanco, que fornece sangue a 15 hospitais de Curitiba, tem 4 mil doadores por mês, mas sua necessidade é de 4,5 mil. No Nossa Senhora das Graças a situação se repete: o hospital precisa de 800 doações mas só tem 500 a 600. Já o Hospital de Clínicas precisa de 1,8 mil doadores, mas só tem 1,2 mil. O Banco de Sangue do Hospital Erasto Gaertner também só recebe 600 doações por mês, quando sua necessidade é de 1,2 mil transfusões.
O grande problema é que só 50% das doações são voluntárias, e as outras 50% são casadas, ou seja, de pessoas que doam para ajudar diretamente algum parente ou amigo que está no hospital, diz o médico Paulo Tadeu, diretor geral do Hemobanco. Hoje, segundo ele, a falta de doadores deixa o Hospital de Clínicas, Nossa senhora das Graças e Hemobanco com um estoque capaz de atender apenas dois dias de trabalho. Por isso, não dá para as pessoas pararem de doar nunca, diz.
Cálculos da Organização Mundial de Saúde mostram que se duas em cada 100 pessoas doassem sangue, jamais haveria falta do produto. Segundo o médico Johnny Francisco Cordeiro Camargo, diretor técnico do Banco de Sangue Erasto Gaertner, apenas 12% das doações são espontâneas enquanto todas as outras são casadas.
O Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), que coordena 24 unidades de coleta de sangue no Paraná, é o único dos bancos que sobrevive com maior tranquilidade. O banco recebe em média 9 mil a 10 mil doares por mês, número suficiente para atender as 65.633 transfusões no primeiro semestre deste ano no Estado, sendo 22.410 em Curitiba. Segundo a diretora geral Elisabeth Ana Ciechomski, a maior quantidade também vem de doações casadas. O índice de doação voluntária é, em média, de 25% a 30% mas chega a 80% em Guarapuava.
Para conseguir maior número de doadores, os bancos de sangue vêm fazendo convênios com empresas, para que os funcionários tornem-se doadores regulares. Em troca teriam sangue garantido, para eles e seus dependentes, em caso de necessidade.





