Curitiba

Albari RosaValentin Filho, empresário, ficou ontem quase uma hora numa agência bancária: ‘‘Bancos precisam acabar com as filas’’Ir ao banco e passar mais de uma hora na fila é um absurdo, mas está menos cansativo em muitas agências bancárias. Para a amenizar o sacrifício dos clientes, bancos de Curitiba estão investindo em equipamentos para distraí-los durante a espera. Enquanto as filas não diminuem, as pessoas podem retirar uma senha, permanecer sentadas e assistindo a programas, vídeos institucionais e até ‘videocassetadas’ transmitidos por monitores de TV. O movimento nas agências cresce principalmente no final do ano, quando as pessoas querem colocar as contas em dia, trocar cheques e receber o 13º salário.
Quinze das 25 agências do Banco do Brasil em Curitiba já contam com os ‘mecanismos de distração’. Segundo a assessoria do banco, a iniciativa partiu dos próprios departamentos administrativos das agências. ‘‘Na medida em que não se pode diminuir a fila, as TVs e cadeiras são alternativas para passar o tempo de forma menos desagradável. Além de distrair, os vídeos e programas podem informar os clientes’’, divulgou a assessoria.
Para o empresário Valentin Filho, cliente do Banco do Brasil e do Itaú, a medida é ‘‘interessante, mas os bancos precisam acabar com as filas colocando mais funcionários’’. Ontem, ele enfrentou uma fila de 60 pessoas e passou quase uma hora em uma agência do BB no Centro Cívico.
O Banestado já instalou os equipamentos em 158 das suas 394 agências, principalmente nas grandes cidades. As televisões transmitem um vídeo produzido para o banco, com imagens de pontos turísticos paranaenses.
A justificativa do Banestado para a instalação dos equipamentos é que o movimento nas agências é muito grande e os clientes não precisam ficar em pé, irritados com a espera. Até julho do próximo ano, outras 28 agências devem passar a ter cadeiras e monitores de TV. O banco não informou o valor total do investimento.
O diretor do Sindicato dos Bancários de Curitiba, José Donizete Viana, diz que os bancários não são contra a instalação das televisões, mas contra o excesso de clientes. ‘‘Se houvesse mais mão-de-obra no setor, o gasto com filmes, TVs e vídeos seria desnecessário’’, observa. Segundo ele, os bancos sempre alegam excesso de funcionários, principalmente nos caixas, e não admitem mais contratações.
O número de bancários nas agências de Curitiba e Região Metropolitana, que alcançou quase 30 mil há cerca de cinco anos, hoje não passa de 15 mil, segundo dados do sindicato.

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