O Banestado vai entrar com pedido de reintegração de posse da Fazenda Santa Maria, em Primeiro de Maio (61 quilômetros ao norte de Londrina), invadida terça-feira por 25 famílias de trabalhadores rurais sem-terra. A informação é do atual proprietário, o advogado e funcionário do Banestado em Maringá, Uziel de Castro Júnior, 40 anos, após conversar ontem à tarde com a direção do banco.
Uziel esteve reunido anteontem à noite com a direção do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em Londrina, discutindo a possibilidade deles deixarem a área pacificamente. ‘‘Comprei a fazenda em um leilão público no dia 12, conforme as regras do edital. Fui à propriedade no domingo e na madrugada de terça-feira eles invadiram. Não tive nem o gosto de tomar posse da área’’, desabafa.
O advogado acredita que o pedido de reintegração seja julgado rapidamente. ‘‘Está tudo a favor. A área é produtiva; não foi tomada pelo banco como dívida rural, mas entregue pelo ex-proprietário como pagamento de dívida comercial; tem gente morando nela e está com boa parte arrendada. A liminar sai fácil. O difícil será a polícia cumprir esta reintegração’’, afirma.
Em reunião com a direção do MST, anteontem à noite, em Londrina, o advogado e o comando dos sem-terra discutiram alternativas para contornar a invasão. ‘‘Eles decidiram que não vão sair. Querem que eu desista da compra da fazenda porque estão com intensão de fazer da área uma cooperativa do MST’’, informa. Uziel admite que não quer se desfazer da Santa Maria. Se a ação de reintegração de posse for demorada, admite até entrar como substituto processual - susbtituindo o banco na ação -, para agilizar o processo.
O dirigente estadual do MST José Damasceno acredita na possiblidade de uma alternativa para a invasão. ‘‘Vamos conversar com o presidente do Banestado, porque a questão não é somente entre o novo proprietário e o MST’’, afirma. A direção do MST tentou contato com o presidente do banco, Manoel Campinha Garcia Cid, mas foi informada que ele estava viajando.

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