Banco é condenado a pagar indenização a ex-gerente
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sexta-feira, 04 de julho de 2003
Candice Dequech<br>Equipe da Folha 
Curitiba - O Banco do Brasil foi condenado pelo Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná a pagar 1,1 mil salários mínimos, o equivalente a R$ 264 mil, a um ex-gerente da Agência Comendador Araújo, no centro de Curitiba. O TJ negou o recurso que pretendia livrar o banco da condenação porque teria exposto o funcionário a um vexame público. O banco acusou Wellington Bertolin, 53 anos, de ser o informante de uma tentativa de assalto ocorrida em 8 julho de 1994.
Na ação, por perdas e danos e abalos morais, Bertolin pedia R$ 1,1 milhão. Segundo os autos, o ex-gerente provou que não teve participação alguma na tentativa de assalto à agência, marcada por um sequestro de quatro membros de sua família. A Folha entrou em contato com o ex-gerente, que contou que, ao chegar em casa, em Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, foi abordado por quatro homens que se faziam passar por policiais civis. A mulher e dois filhos foram amarrados e deixados em um matagal no município de Fazenda Rio Grande, também na Região Metropolitana.
O ex-gerente, segundo relatou, foi levado até a agência onde trabalhava por um dos assaltantes, que queria que ele abrisse o cofre. No local, Bertolin explicou que era impossível abrir o cofre. O assaltante, segundo ele, desistiu do roubo e abandonou o ex-gerente onde estava sua família.
Bertolin afirmou que foi alvo, durante muito tempo, de insultos por parte de outros gerentes e funcionários do banco. ''Eles me xingavam e diziam que eu não tinha dinheiro para nada, e, por isso, roubava. Eles também insultavam muito a minha mulher e até meus filhos.''
Cerca de um ano depois do incidente, Bertolin deixou o emprego e decidiu mover uma ação contra o banco. O Banco do Brasil ganhou a ação em primeira instância, mas a família de Bertolin recorreu da decisão e teve ganho de causa. O ex-gerente informou que o banco ainda pode entrar com recurso. A Folha entrou em contato com a assessoria de imprensa do banco, que informou que o BB não se manifestaria.
O acusado de ter sido o informante do assalto é um segurança do banco, que foi preso cerca de um ano depois do incidente. Os assaltantes, segundo Bertolin, nunca foram localizados.


