A Superintendência Estadual do Banco do Brasil no Paraná divulgou ontem nota oficial informando que reiniciou o processo de licitação com a abertura e análise de proposta de venda da Fazenda São Carlos, em Arapongas (37 km a oeste de Londrina). A área foi invadida anteontem por famílias de sem-terra, numa tentativa de impedir que a fazenda fosse vendida em leilão, suspenso no mesmo dia.
O superintendente do Incra no Paraná, Petrus Emili Abi-Abib, declarou anteontem que o órgão estava negociando a compra da área com o Banco do Brasil, através do protocolo de intenções assinado entre as entidades, com o fim de destinar a fazenda para reforma agrária. O banco, por sua vez, esclareceu que o imóvel tem 766 hectares e é considerado ‘‘praticamente a totalidade agricultável, com tecnologia de irrigação, o que tem possibilitado sucessivas safras com alta produtividade de soja, milho e trigo’’.
O Banco do Brasil recebeu a propriedade em 1997 em pagamento de dívidas agrícolas, avaliada pelo preço mínimo de R$ 3 milhões. ‘‘Nas negociações com o Incra não houve entendimento entre as partes quanto ao valor do imóvel e sua classificação como produtivo’’, dizia a nota oficial. Segundo a superintendência, no dia 22 de junho foi ofertada oficialmente a área ao Incra pelo valor de R$ 3 milhões, mas o órgão não se manifestou.
No final de julho o Incra promoveu a atualização cadastral do imóvel, reclassificando-o como improdutivo. Por este motivo, o Banco do Brasil ‘‘recorreu administrativamente da decisão com as devidas comprovações e procedeu ao processo de licitação dentro das normas legais, tendo recebido proposta de compra da Fazenda São Carlos’’.
A superintendência do banco informou ainda que tem viabilizado junto ao Incra diversos imóveis para a reforma agrária, dentro do compromisso social de apoio ao setor. Porém, ‘‘mantém a disposição de preservar seu patrimônio’’.

mockup