''A doação de olhos ilumina a vida de muitas pessoas''. Esse é o slogan da campanha do Banco de Olhos do Hospital Universitário de Londrina para sensibilizar as pessoas sobre a importância da doação de órgãos. A iniciativa, que visa orientar as pessoas a conversar com os familiares sobre o desejo em ser um doador, estará presente em hospitais, ônibus, universidades e Unidades Básicas de Saúde, através de panfletagem.
Além da divulgação da campanha feita ontem pela manhã, o HU também informou os números do Banco de Olhos, implantado em abril deste ano. Ao todo, foram 40 transplantes de córneas e quatro de escleras, com doações de Londrina e região. ''Esperamos aumentar o número de doadores, pois o ideal seria uma doação por dia, o que possibilitaria zerar a fila de espera em 180 dias'', afirma o coordenador do Banco de Olhos, Sérgio Pacheco, ao ressaltar que atualmente surge um doador a cada dois ou três dias. Ele cita também que, do total de doações, cerca de 50% são descartadas na triagem, principalmente em casos de HIV positivo e Hepatite B e C.
Na inauguração do Banco de Olhos, 109 pacientes cadastrados na Central Estadual de Transplantes aguardavam por uma córnea. Três meses depois, esse número caiu apenas para 104. Isso signfica que a demanda de pessoas que necessitam de um transplante de córnea aumenta consideravelmente, chegando a 50 em apenas 90 dias.
Diferentemente de órgãos como o coração, a córnea pode ser retirada em até sete horas após o óbito e a conservação - se adequada em solução e baixa temperatura, pode chegar a 14 dias.
Para a coordenadora da Comissão de Procura de Órgãos e Tecidos para Transplantes de Londrina (Copot), Ogle Bacchi, Para Ogle, além do aumento no número de doadores, existe a necessidade de ampliar o potencial de captação, principalmente em ambientes hospitalares. ''Não adianta enfatizarmos a necessidade de captar, se não temos profissionais capacitados. Para isso, o Ministério da Saúde tem feito a habilitação de profissionais de nível superior e não somente os oftalmologistas. Além disso, o governo estadual junto com as Copots tem estudado um projeto para adequação física e técnica dos IMLs para que seja possível a captação no local, com segurança.''
Sensibilizar
A analista de Marketing Maria Fernanda Evangelista, 33 anos, foi diagnosticada com ceratocone (afinamento progressivo da córnea) aos 15 anos. Durante um longo período, ela fez uso de lentes de contato até receber a notícia do médico de que seria necessário um transplante de córnea. ''Em 2000, entrei na fila. Esse período era de extrema ansiedade para mim, pois minha visão já estava bem limitada.''
Quatro anos depois, Maria Fernanda foi comunicada sobre a existência de uma doação. ''Fiz o transplante no olho direito, mas no ano seguinte tive que entrar na fila novamente para o olho esquerdo. Foram mais três anos até receber outro telefonema.''
Hoje, Maria Fernanda comemora os transplantes. ''Estou com a visão perfeita. Hoje, sou uma doadora e incentivo qualquer ação que venha informar ou sensibilizar as pessoas para a doação. Minha família já sabe que sou doadora'', diz.
Serviço - Mais informações no Banco de Olhos pelo fone (43) 3371-2708, ou na Copot - (43) 3379-6078

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