A Central de Transplantes do Paraná (CTP) melhorou a situação de quem aguarda um órgão para continuar vivendo. Antes dela, o Estado conseguia realizar por ano no máximo 8,6 transplantes por milhão de habitantes. Hoje, esse número subiu para 12,2, representando um aumento de 42% em pouco mais de dois anos.
Desde que foi implantada, em 1996, a CTP viabilizou 1.174 transplantes e formou um banco de doadores de medula óssea que já tem metade do tamanho do que atende a Espanha inteira. O banco paranaense registrou 4 mil nomes em um ano, incluindo o do governador Jaime Lerner. ‘‘A Espanha tem uma organização nacional de transplantes há 10 anos e é referência internacional na área de transplantes de órgãos, mas se não aumentar o seu banco de doadores, até o final do ano nós vamos estar na frente’’, prevê a coordenadora da CTP, a bióloga Cristina Von Ghlen.
Considerada modelo do Brasil, a central paranaense já recebeu estagiários das secretarias de saúde do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Goiás, Mato Grosso do Sul, Piauí, Pernambuco e Alagoas, que vieram ao Estado conhecer o funcionamento e a organização da CTP antes de implantar as suas centrais. A lei estadual de transplantes, criada no Paraná em 1995, foi a base da lei federal, que é de 1997. E a lei que rege a Central de Transplantes também inspirou o sistema nacional de centrais.
O que não significa que o Estado não enfrente problemas. ‘‘O nosso aproveitamento ainda é muito baixo. Até o ano passado aproveitávamos apenas 35% dos órgãos a cada morte cerebral. Neste ano já chegamos a 40%, e até dezembro vamos alcançar 50%’’, calcula a coordenadora da CTP. Em um único hospital, localizado na capital, a Secretaria da Saúde conseguiu um aumento de aproveitamento de 14% em um ano. ‘‘Desde que nós começamos o governo está ciente de que este é um trabalho a longo prazo. E mesmo sabendo que os frutos poderiam ser colhidos em outra gestão, ele deu o sinal verde para continuarmos’’, diz.
A Secretaria da Saúde, através da CTP, está investindo na capacitação dos profissionais que trabalham nas Unidades de Terapia Intensiva dos hospitais, responsáveis pela detecção do potencial doador, que é a pessoa com morte encefálica, e na manutenção do órgão enquanto é atestada a morte encefálica, o que demora cerca de 8 a 10 horas.
Os casos de morte encefálica correspondem a 1% entre os óbitos em UTIs cujos hospitais não fazem atendimento de traumas e a 15% nos que fazem. Já foram realizados diversos treinamentos para neurologistas, intensivistas e enfermeiros de UTI.
Em setembro, a CTP vai selecionar os 10 profissionais com melhor desempenho para o curso de Coordenador de Transplante, ministrado por profissionais espanhóis. Depois, eles vão atuar como multiplicadores no Estado, formando os responsáveis pelo processo mais delicado do transplante, que inclui a detecção do doador, o atestado da morte encefálica, a manutenção dos órgãos, a abordagem da família e a retirada dos órgãos.
A preocupação da Secretaria da Saúde é otimizar o trabalho realizado na área de transplantes no Estado, sem aumentar o custo. ‘‘Existe um limite de gastos determinado pelo SUS. Então, para aumentar o número de transplantes, sem retirar dinheiro de outras áreas da saúde, temos que melhorar a qualidade’’, afirma Cristina.
Nesse campo, o trabalho da CTP também pode ser medido em números: hoje, a central consegue realizar 13 transplantes com o mesmo dinheiro que antes era gasto com 10. ‘‘E, no máximo em dois anos, vamos chegar a 14 transplantes, sem ultrapassar o teto do SUS’’, completa.Joel RochaModeloBanco tem 4 mil nomes, mais da metade do banco que atende toda a EspanhaDa Redação

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