Banco de Leite precisa de doações
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terça-feira, 12 de maio de 2009
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
A falta de incentivo nas maternidades curitibanas aliada à pouca divulgação na mídia leva à queda nos estoques do Banco de Leite do Hospital de Clínicas (HC), de Curitiba. Segundo a coordenadora do banco, Celestina Bonzanini Grazziotin, o volume já começou a cair e essa situação pode afetar cerca de 70 recém-nascidos prematuros atendidos na unidade de saúde.
O leite materno doado por cerca de 180 mulheres é suficiente, hoje, apenas para atender as necessidades do HC. A Maternidade Victor Ferreira do Amaral e Hospital do Trabalhador ainda recebem um pouco. De acordo com Celestina, tem sido cada vez mais difícil ajudar outras unidades de saúde. Em Curitiba, além do HC, o Hospital Evangélico também tem banco de leite. No Paraná, são apenas oito.
"Percebemos que as mulheres que têm filhos em outras maternidades muitas vezes não são orientadas sobre a doação. Algumas nos procuram dizendo que souberam pela vizinha ou amiga. Sem saber que é possível doar, elas acabam jogando leite fora", lamenta a coordenadora.
Ao contrário do sangue, que todos podem ser doadores em potencial, o aleitamento materno é "privilégio" de uma pequena faixa da população. Além de ser saudável, preferencialmente não-fumantes e não estar em tratamento com medicação, a mãe precisa ter leite em quantidade excedente.
Para se tornar doadora, não precisa nem sair de casa. Moradoras de Curitiba e regiões próximas passam por uma primeira triagem, com entrevista, feita por telefone. Depois ela recebe a visita de uma técnica em enfermagem que leva o material: um frasco, máscara e um folder que explica todos os passos. Ela preenche um cadastro para ser incluída no programa.
Uma vez por semana, a técnica passa na casa da mãe para recolher a doação, que deve ser conservada congelada. A quantidade varia de mulher para mulher. A média fica entre 2 e 3 litros, mas existem extremos que vão do meio litro aos 5 litros.
A operadora de caixa Andressa Renata de Almeida, 21 anos, sabe bem a importância de doar. Ela precisou deixar de amamentar o primeiro filho aos quatro meses da criança. Passou a depender do banco de leite até que o filho completasse seis meses. Virou doadora já no segundo filho e voltou a entregar seu leite agora com a vinda da filha Clara.
Lucélia da Silva, 29 anos, decidiu doar já no primeiro filho. Ficou sabendo do banco no próprio HC e descobriu que o processo é mais simples do que pensava. No segundo dia, ela contou que já conseguia fazer sozinha e garante que não fez falta para o pequeno Vinícius, de quatro dias.
Segundo Celestina, o leite materno só traz benefícios para a criança, nenhuma desvantagem. "É uma vacina natural que protege contra várias doenças. Diminui os riscos de infecções intestinais e pulmonares e, a longo prazo, é comprovado que reduz os riscos de hipertensão, diabetes, artereoesclerose, câncer de mama, endometriose, entre outras", explica.
Toda doação passa por um exame antes de ser pasteurizada e dada a um bebê prematuro. O consumo por criança é pequeno, mas como são muitas, o volume necessário acaba sendo grande. O contato com o Banco de Leite do HC pode ser feito pelo telefone (41) 3360-1867.


