Banco de Leite do HU precisa de doações
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sexta-feira, 19 de abril de 2013
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
A enfermeira Denise Jodas Salvagioni, de 28 anos, tem a preocupação de dar apenas leite materno para o filho Miguel, de dois meses. "O leite materno é o melhor e meu bebê só tem a ganhar", afirma ela, que se orgulha em dizer que tem leite de sobra. Porém, a satisfação só existe porque Denise sabe que seu leite também alimentará outros bebês.
"Me sinto muito útil ao saber que posso ajudar outros bebezinhos que estão precisando de leite. Tenho bastante para amamentar meu filho e ainda sobra. Nada mais justo que doar, ao invés de desprezar", justifica Denise, que há dois meses é doadora do Banco de Leite do Hospital Universitário (HU).
Na primeira semana de doação, Denise coletava 200 ml de leite e hoje já são 800 ml a cada semana. "Quando mais a gente tira, mais a gente produz. Por isso, digo para outras mães que estão amamentando para não terem medo e nem receio de procurar o Banco de Leite. Eles nos ajudam com tudo e inclusive vêm em casa para buscar os frascos. Demanda um pouco de tempo, mas vale muito a pena", revela.
A exemplo de Denise, outras mães também sabem da importância de doar o leite materno. Ao todo, são cerca de 300 doadoras no HU e postos de coleta, mas este número ainda é pequeno pela grande quantidade de bebês que precisam de leite. São bebês internados em unidades neonatais.
"A demanda é muito grande porque atendemos crianças do HU e de outros hospitais. Apesar de termos postos de coleta em Arapongas, Cambé, Cornélio Procópio, Rolândia e na Maternidade Municipal, muitas vezes a quantidade é insuficiente", afirma a coordenadora do Banco de Leite do HU, Márcia Maria Benevenuto de Oliveira.
Segundo a coordenadora, o ideal seria manter manter 500 litros por mês, considerando as perdas. Ela justifica afirmando que o protocolo de higiene é muito importante durante a coleta, armazenamento e transporte do leite.
"O leite tem uma norma de coleta. Por exemplo, a mãe deve estar com gorro, máscara, com as mãos higienizadas e desprezar os primeiros jatos. Tudo isso é importante para manter a qualidade do leite. Além disso, o líquido deve ser armazenado em frasco de vidro liso, boca larga e tampa plástica esterilizada e deve ser conservado em congelador por até 15 dias", explica Márcia.
Todas as informações e materiais utilizados para a coleta do leite são repassados pela equipe que é acionada assim que a mãe entra em contato com o Banco. Será feito um cadastro da doadora e o recolhimento é realizado semanalmente.
Em funcionamento desde 1988, o Banco de Leite beneficia mais de 300 crianças por mês. "É bastante gratificante porque além de ajudar outros bebês, essas mães também estão se ajudando, ao evitar qualquer desconforto pela quantidade de leite produzida", declara a coordenadora.
O leite doado para um Banco de Leite é processado e distribuído com qualidade certificada a bebês hospitalizados, preferencialmente aqueles que nasceram prematuros e/ou com baixo peso. As crianças que recebem o leite ainda não podem ser alimentadas diretamente ao seio materno e suas mães nesse momento têm grande dificuldade de produzir e retirar o leite para os filhos.
O leite humano , por sua composição de nutrientes, é considerado um alimento completo e suficiente para garantir o crescimento e desenvolvimento saudável do bebê durante os primeiros 2 anos de vida. É um alimento de fácil e rápida digestão, completamente assimilado pelo organismo infantil. Ele também possui componentes e mecanismos capazes de proteger a criança de várias doenças.
Serviço:
Mais informações sobre o Banco de Leite do HU pelo fone (43) 3371-2390. O funcionamento é de segunda a sexta-feira, das 7 às 17 horas e aos sábados das 7 às 12 horas.


