Curitiba - O Paraná dispõe de uma ferramenta importante e que pode ajudar a agilizar as investigações de casos violência sexual. O banco de dados de DNA de pessoas envolvidas em crimes de estupro e abuso sexual, criado pelo laboratório de genética molecular do Instituto de Criminalística, em 2002, é um dos primeiros do País e reúne mais de 100 nomes. Foi usado na investigação da morte de Rachel Maria Lobo Oliveira Genofre, 9 anos, na tentativa de identificar o assassino. A menina foi encontrada morta, no dia 5 deste mês, dentro de uma mala, na Rodoferroviária de Curitiba.
"O Paraná tem expertise em DNA criminal. Foi um dos primeiros a criar o serviço e, por consequência disso, criou esse banco de dados", afirmou o secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, ao defender a implantação de um banco nacional. Ele acredita que, assim como se avançou no uso de um sistema integrado de digitais, a tendência é de se aplicar o mesmo na identificação genética. A secretaria tem intenção de ampliar a estrutura do laboratório paranaense.
Delazari lembrou que já existe um banco de DNA, que auxilia nas investigações de crianças desaparecidas, e que se propõe a ter abrangência nacional. Integra o projeto Caminho de Volta, idealizado pela Escola de Medicina da USP, e lançado no Paraná, em agosto do ano passado. O banco reúne informações genéticas dos familiares para um confronto de dados em uma eventual localização do desaparecido.
No caso Rachel, o banco de DNA não foi útil, a não ser para descartar suspeitos. Para Delazari, pode ter sido uma pessoa sem antecedentes criminais. "Todo crime de homicídio em que não há testemunha é um grande desafio e o pedófilo não tem um comportamento horizontal. Ele pode praticar um crime hoje e só voltar a cometê-lo daqui cinco anos", ponderou.
O secretário preferiu não dar informações sobre o andamento das investigações da morte de Rachel, argumentando que qualquer divulgação nesse momento poderia atrapalhar o trabalho da polícia. "Estamos fazendo tudo que é possível, checando todas as informações que nos chegam",
Sobre o fato de terem acontecido quatro crimes contra crianças em menos de duas semanas, Delazari afirmou que não se trata de uma "epidemia". Para o secretário, os casos não têm relação entre eles e nem com segurança pública. No homicídio da menina Lavínia Rabeche da Rosa, de 9 anos, lembrou Delazari, o suspeito se aproveitou da proximidade que tinha da família. "O cara estava tão maluco que dormiu no local do crime. Isso foge de qualquer situação de normalidade", acrescentou.

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