Dorico da SilvaChapa 1José Francisco da Silva: ‘Em nome da transparência e da ética, a gente corre qualquer risco’Depois de um 96 cheio de muita confusão, troca de agressões verbais e disputas internas, os bancários de Londrina e região voltam às urnas para mais uma eleição para o Sindicato dos Bancários. A entidade hoje tem quase 4 mil filiados, espalhados na região por 24 cidades.
Quinze urnas estarão recolhendo os votos da categoria, sendo que 13 itinerantes - passarão pelas agências - e duas fixas: uma na sede do sindicato, na rua Tupi (área central) e outra no Centro de Compensação do Banco do Brasil, na vila Nova (também área central).
As duas chapas que disputam a eleição, Construindo o Futuro (Chapa 1), ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT) e Alternativa Bancária (Chapa 2), apoiada pela Federação dos Bancários do Paraná (Feeb-Pr) e Confederação dos Trabalhadores em Empresas de Crédito (Contec), têm componentes da atual diretoria, mas a segunda faz campanha com bandeira de oposição.
Entre tantas propostas apresentadas pelos dois grupos, uma especial motiva a categoria: trazer de volta ao sindicato a condição de ser uma das entidades mais organizadas e respeitadas de Londrina. O ano passado, ao contrário, pode ser considerado um desastre para a imagem do Sindicato. A divisão interna entre presidência e diretoria expôs uma ferida que nem os mais críticos acreditavam existir.
Para a Chapa 2, encabeçada por Vanda Kemp, devolver ao Sindicato a posição de referência nacional virou questão de honra. ‘‘Com a nossa posse isso não vai acontecer mais. Nosso grupo respeita um ao outro e o nível de amizade e pensamento é muito grande’’, afirma Vanda.

Warren NabucoChapa 2Vanda Kemp: ‘Queremos um Sindicato independente, não um quartel general de partido político’Já para o José Francisco da Silva, candidato a presidente pela Chapa 2, a união existe e a perspectiva agora é de evolução. ‘‘Essa eleição vai marcar uma divisão na história do sindicato: a gente quer enterrar todos os mitos e mostrar que a entidade é hoje uma das melhores da categoria em todo o País, técnica e politicamente.’’ Os mitos, ele diz, são basicamente todos os problemas apontados durante a campanha pela chapa concorrente: que o sindicato é partidarizado, que a divisão interna atrapalha a administração da diretoria, ou que determinados membros do PT sempre arrumam confusão.
‘‘Isso para nós é desespero eleitoral. Como eles não têm projeto, propostas, linhas de campanha, partem para esse tipo de coisa’’, contra-ataca o sindicalista. ‘‘Eu diria até que a maioria dos diretores hoje está decepcionada com a militância partidária.’’ Ele acrescenta que dentro da entidade a divisão entre partido e sindicato é muito clara. ‘‘Não existe partidarização’’.
Não é o que pensa Vanda Kemp. ‘‘Se o outro grupo ganhar continuarão as brigas. E a gente quer um sindicato independente, não um quartel general de um determinado partido político’’. O partido político que se refere a candidata é o Partido dos Trabalhadores (PT) e a divisão interna, segundo ela, é bem clara: de um lado o grupo do deputado federal Nedson Michelleti e de outro o também deputado federal Paulo Bernardo, candidato derrotado nas últimas eleições para prefeitura de Londrina. ‘‘Quem não estiver do lado de um ou de outro estará fora do Sindicato’’, diz a candidata.
‘‘Os dois (Paulo Bernardo e Nedson) são figuras carismáticas e se constituíram em lideranças. Mas cresceram tanto fora do Sindicato que a base de votação não é só da categoria’’, contesta José Francisco. Por isso, ele aponta, essas lideranças não não tem papel desagregador durante a administração da entidade.
Sobre o impasse que dividiu o sindicato no último ano, José Francisco tem posição definida: o problema teve início com uma medida administrativa contra dois diretores e que só ganhou repercussão pela proximidade das eleições. ‘‘Com a repercussão negativa a gente nunca se preocupou. Em troca da transparência e da ética na política a gente corre qualquer risco, inclusive botando a cara para bater.’’



Base do Sindicato
está espalhada
por 24 cidades da
região de Londrina

Acompanhada dos bancários Sílvio Roberto Stefanno e Marcos Menan, que também fazem parte da Chapa 2, Vanda Kemp questiona a pesquisa divulgada pelos adversários dando um resultado de 42% contra 26% favoráveis à Chapa 1, com 30% de indecisos. ‘‘A gente contesta a pesquisa porque vários bancos não foram pesquisados. E a verdadeira pesquisa será na data da eleição.’’
‘‘Quem fez a pesquisa foi o Alvorada Pesquisas, que tem credibilidade na praça. Agora, se eles quiserem contestar, que contestem a Alvorada’’, aponta José Francisco.
Ainda sobre a campanha, Kemp desfia um rosário de queixas e reclamações sobre o que ela chama de inverdades que foram divulgadas pelo concorrente. Uma delas seria de que a candidata não tem experiência para assumir o cargo de presidente do sindicato. ‘‘Há mais de cinco anos venho me preparando para isso, é um anseio pessoal’’, afirma, acrescentando que foi a funcionária mais votada em eleição para delegado sindical, cipeira (que compõe a Comissão Interna de Prevenção de Acidentess/Cipa) em duas gestões além de alfabetizadora com curso de pós-graduação.
Kemp critica também o estilo de campanha e de administração adotado pela chapa concorrente, com alto-falantes ligados em diversas partes da Cidade, inclusive no Calçadão. ‘‘Isso é uma vergonha para o sindicato, eles continuam desrespeitando a comunidade. E não adianta ficar com o carro de som na cabeça dos funcionários e da comunidade porque não é o gerente da agência que vai dar aumento para o bancário, é o banqueiro’’, diz. ‘‘Mas no nosso modelo a negociação civilizada será o ponto alto.’’
José Francisco não deixa por menos: para ele, o grupo, apoiado pela Federação dos Bancários do Paraná, é classificado como ‘‘chapa de patrão’’ e não tem representatividade junto à categoria. ‘‘Nós somos bancários profissionais, agora nessa Federação tem gente que nem sabe o que é ser bancário’’, critica.
O candidato da Chapa 1 avalia que o grupo não deverá ter dificuldades para vencer as eleições, como vem acontecendo há 12 anos. Ele lembra que Londrina foi a primeira cidade no Estado onde a CUT venceu as eleições.
Para ele, entre todas as propostas de sua chapa, a mais importante é que institui o fim do imposto sindical. Com isso, ele afirma, entidades como a Federação dos Bancários do Paraná vão acabar, porque vivem hoje às custas de taxas compulsórias e não de filiados. ‘‘Nós queremos mudar a estrutura sindical atual.’’
A avaliação de Vanda Kemp sobre a campanha eleitoral também é positiva. ‘‘Nós mantivemos, o tempo todo, um alto nível, apresentando propostas e compromissos’’, afirma, destacando que uma possível vitória de sua chapa não significa o desfiliamento do Sindicato dos Bancários de Londrina da Central Única dos Trabalhadores (CUT). ‘‘Isso será decidido por plebiscito e não por meia dúzia em assembléia’’. Todas as grandes questões do Sindicato, destaca a candidata, serão decididas através de plebiscito.
O resultado da eleição deve ser divulgado ainda na sexta-feira à noite.

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