Já começou a campanha para a eleição da nova diretoria do Sindicato dos Bancários de Londrina e região, entidade ligada à Central Única dos Trabalhadores (CUT). Representando uma categoria com mais de 4 mil trabalhadores em 26 municípios, incluindo Londrina, o sindicato é considerado um dos mais ativos. Ao todo, 3.850 bancários estão em condições de voto, cerca de 3 mil deles empregados em agências de bancos privados, estaduais e federais, em Londrina.
Até ontem apenas uma chapa havia se inscrito para a disputa, a ‘‘Construindo o Futuro’’ (Chapa 1), encabeçada pelo funcionário do Banestado José Francisco da Silva, ‘‘o Chico’’, e formada por integrantes da atual diretoria. Mas a perspectiva é que até amanhã - último prazo para o registro de chapa -, a oposição inscreva a sua, acirrando a disputa e mantendo a tradição de eleições agitadas. A votação está marcada para os dias 16 e 17 de janeiro, e a entidade já trabalha com a possibilidade de um segundo turno, caso não haja quórum ou nenhuma das chapas consiga fazer a maioria dos votos (50% mais um).
Como nas eleições anteriores, apenas duas das 15 urnas serão fixas: uma no Centro de Serviços de Comunicação (Cesec) do Banco do Brasil e a outra na sede do sindicato. As demais urnas (13) serão itinerantes e vão percorrer todos os locais de trabalho.
O voto é facultativo e secreto, mas a possibilidade de falta de quórum é improvável. O histórico das eleições da entidade mostra que a média de comparecimento às urnas é de 90% dos eleitores. Na última eleição, em 1994, informa o Sindicato, a média foi superada, chegando perto dos 100%.
Composta por 40 membros, entre diretoria administrativa, conselho fiscal e delegados, a Chapa 1 tem como principal proposta de trabalho ‘‘preparar a categoria para o terceiro milênio’’. José Francisco explica que a atuação da nova diretoria estará voltada para a qualificação do bancário, dando a ele a oportunidade de otimizar o seu desempenho.
Dentro da mesma linha, a meta é atingir também os ex-bancários, preparando-os para o mercado de trabalho. Hoje, diz o candidato a presidente da Chapa 1, o bancário demitido tem um mercado de trabalho muito restrito devido ao tipo de trabalho que desempenha. ‘‘Nossa preocupação hoje é com o emprego. Passa a valer o conceito de empregabilidade e o bancário não pode mais ser apenas bancário.’’
De acordo com o Sindicato, em 85 havia 850 mil bancários em todo o País. A automatização do sistema e a política de redução de pessoal fez o número cair para menos de 500 mil. Só em Londrina, neste ano, a entidade diz que foram demitidos 350 pessoas entre a categoria.
Outra proposta de trabalho da Chapa 1 é a de acentuar a fiscalização da jornada de trabalho nas agências bancárias. José Francisco esclarece que, apesar da automatização, os bancos vêm trabalhando com um número menor que o necessário de funcionários. ‘‘Os funcionários estão sendo sobrecarregados de trabalho e obrigados a cumprir horas extras que depois acabam não sendo pagas’’, afirma o sindicalista.
Campanhas nacionais dos bancários defendem a redução da jornada de trabalho de seis para cinco horas e a implantação de dois turnos, com o objetivo de evitar a sobrecarga e aumentar o número de empregos. Atuar na área de saúde, cultura e lazer também faz parte da plataforma de propostas da Chapa Construindo o Futuro.

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