Marcelo AlmeidaTorres: no incêndio, não lembrou que os bombeiros atendiam no 193O fogão estava em chamas, o dono da casa em pânico e os baldes de água não conseguiam conter o fogo quando a atendente do serviço 190 calmamente informou que aquele não era o número do Corpo de Bombeiros. ‘‘O senhor deve ligar para o 193’’, disse a atendente da Polícia Militar ao bancário aposentado Flávio Torres, aflito com a confusão instaurada em sua cozinha. ‘‘Só lembrei de perguntar se ela não podia apenas transferir a ligação’’, lembra o bancário, que recebeu um sonoro ‘‘não’’.
Torres conta que ainda tentou seguir a orientação dada pela policial, e diz que até conseguiu ‘‘arranjar calma’’ para discar o número dos bombeiros. Nos poucos minutos entre uma ligação e outra, o fogo aumentou e o bancário se viu obrigado a dispensar o serviço. Assim que foi atendido pelo 193, Torres só disse ‘‘espera aí que eu estou indo apagar um incêndio’’, antes de desligar.
O bancário afirma que ficou espantado com a inexistência de interligação entre os serviços de emergência. ‘‘Não é justo exigir que a população memorize dezenas de números’’, reclama. Torres acredita que a unificação dos serviços não é apenas uma questão prática, mas sim de sensibilidade. ‘‘Parece que ninguém imagina que na hora do pânico as pessoas mal conseguem raciocinar, quanto mais lembrar de um número de telefone’’, diz. (C.P.)

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