Começou às 9 horas de ontem, no Tribunal do Juri, em Curitiba, o julgamento do bancário Maurício Meyer, acusado de matar a mulher, Josiane Schustak Meyer, em 13 de setembro de 1999, com golpes de martelo, e depois queimar o corpo dentro da churrasqueira de sua casa. Até o fechamento desta edição, o julgamento ainda não tinha terminado. No julgamento o Ministério Público – que é responsável pela acusação – decidiu pedir o afastamento dos agravantes (motivo fútil e meio cruel) e pedir que o réu responda apenas por homicídio privilegiado e destruição do cadáver.
O promotor público, Cassio Roberto Chastalo, entendeu que ‘‘o acusado agiu sob domínio de violenta emoção logo em seguida à injusta provocação da vítima’’. Chastalo afirmou que como no laudo da necrópsia só constavam duas lesões ‘‘contundentes’’ no crânio da vítima, e não inúmeras como citado no início do processo, também não poderia manter a acusação de que o réu usou de meio cruel. ‘‘Não posso sustentar o que não posso provar.’’
Chastalo explicou que sem as ‘‘qualificadoras’’, o crime deixa de ser hediondo, o que dá ao acusado a chance de progressão da pena. ‘‘Tenho certeza que o jurado vai entender a posição Ministério Público, porque a justiça, mesmo com pena menor vai ser feita’’, afirmou, sem querer arriscar palpite sobre qual seria pena. ‘‘Esse é um ato exclusivo do juiz.’’
Meyer foi preso no dia 15 de setembro de 99, na casa de parentes, em São José dos Pinhais, e foi levado para o 11º Distrito Policial, onde permaneceu até o dia 9 de março deste ano, sendo então transferido para o 12º Distrito Policial. Durante intervalo do julgamento, ele afirmou à Folha que sua expectativa era de conseguir a desqualificação do crime para redução da sentença. Ele disse acreditar que estará em liberdade em breve.
O bancário Maurício Meyer chorou ao ver as fotos dos filhos, apresentadas pelo advogado de defesa, durante o depoimento que prestou ontem pela manhã, no Tribunal do Júri. Meyer disse que não havia premeditado o assassinato da mulher, Josiane Meyer. O bancário afirmou que ela era agressiva e que apenas tentou se defender. O juiz João Kopytowski disse que ‘‘réu demonstrou frieza durante todo o processo, dando uma ‘choradinha’ no final’’.

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