Vânia Moreira
De Umuarama
As empresas de Guaíra (115 quilômetros a sudoeste de Umuarama) que abastecem Salto del Guairá, no Paraguai, estão transportando mercadorias pelo Lago de Itaipu em pequenos barcos alugados. A balsa que faz a travessia entre as duas cidades está parada desde o início de dezembro, porque o nível do lago está baixo e a embarcação corre o risco de encalhar nos bancos de areia. Os exportadores não querem utilizar a Ponte Airton Senna por causa da burocracia para passar as mercadorias pelo Mato Grosso do Sul. ‘‘Tivemos que apelar para a exportação formiguinha’’, brinca o comerciante Nelto Escritore.
Uma das maiores fornecedoras de alimentos e bebidas para a cidade paraguaia, a empresa de Escritore está despachando de barco entre uma e 1,5 tonelada de mercadorias todos os dias. É preciso descarregar o caminhão no porto, passar a mercadoria para os barcos, descarregar na outra margem e colocar novamente em veículos para distribuir no comércio. Mesmo assim, os comerciantes garantem que é mais fácil que passar pela ponte. Os barqueiros cobram de R$ 25 a R$ 30 por viagem. Com a pesca escassa e proibida por causa da piracema, muitos pescadores estão vivendo do aluguel dos barcos para transporte de mercadorias para o Paraguai.
Inaugurada há dois anos, a ponte Airton Senna (com quase quatro quilômetros de extensão) liga Guaíra a Mundo Novo (MS). Segundo os exportadores, para passar pelo Mato Grosso do Sul com mercadorias, é preciso providenciar documentos exigidos pela Receita daquele Estado: o manifesto de carga e o conhecimento de transporte rodoviário. ‘‘Dá muito trabalho providenciar estes documentos para rodar cinco minutos dentro do Estado’’, afirma Escritore.
Os exportadores afirmam que as vendas caíram mais de 50% desde a paralisação da balsa. Guaíra fornecia mais de 90% dos alimentos, bebidas, remédios e outros materiais consumidos em Salto. Além da mercadoria despachada pelos exportadores, muitos comerciantes de Salto vinham a Guaíra fazer compras. Sem a balsa, estão preferindo comprar em Mundo Novo para fugir do pedágio da ponte e de dois postos fiscais: o da Receita Estadual de Mato Grosso do Sul, na rodovia para Mundo Novo e o da Receita Federal, na fronteira seca entre aquele Estado e o Paraguai.
Não há previsão de quando a balsa poderá voltar a operar. O nível do Lago de Itaipu está quase quatro metros abaixo do normal. A Folha tentou contato por telefone com as duas empresas que fazem a travessia por balsa em Guaíra, a F. Andreis e a paraguaia Campanatra, mas não conseguiu falar com os diretores. Os funcionários não quiseram dar informações.Baixo nível do Lago de Itaipu impede travessia por balsas na região de Guaíra; exportações para o Paraguai caíram 50%
Fotos Ricardo AbreuTRAVESSIA PERIGOSAO baixo nível da água impede a travessia do lago; balsas podem encalhar em bancos de areiaExportadores estão atravessando as mercadorias em pequenos barcos alugados dos pescadores da região

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