Balsa parada prejudica moradores
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segunda-feira, 03 de outubro de 2011
Davi Baldussi <br>Reportagem Local 
Lupionópolis - O contramestre Ronaldo José Soares está de férias por tempo indeterminado. Durante os últimos 24 anos o trabalho dele consistia em conduzir a balsa para atravessar o Rio Paranapanema, no trecho entre Lupionópolis (Norte) e Pirapozinho, no interior paulista. Há dois meses, no entanto, o meio de transporte foi proibido de circular após uma vistoria da Marinha. Hoje, os dias de Soares são de espera. Ele aguarda a construção de uma nova balsa para poder voltar a fazer as travessias.
Sem a embarcação, denominada Glorinha Valverde, os comerciantes de Lupionópolis e cerca de mil pessoas que vivem do outro lado do rio, num assentamento rural, tiveram suas rotinas completamente modificadas. O prejuízo, segundo eles, é grande e queixas não faltam.
Proprietária de um supermercado em Mairá, distrito de Lupionópolis, Lucilene Aparecida Voltarelli tem que buscar alternativas para não perder a freguesia do Estado vizinho. Todos os sábados ela freta um ônibus para buscar consumidores que moram no assentamento em Narandiba (SP).
''Da última vez vieram 12 pessoas, porque tem que dar a volta pela ponte de Santo Inácio. São 60 quilômetros, 20 só de estrada de terra'', lamenta. Com a balsa em atividade, garante Lucilene, as viagens entre Pirapozinho e o Distrito de Mairá eram constantes e o movimento no comércio, mais intenso. A travessia na embarcação levava cerca de 10 minutos.
O operador de máquinas José Batista é um dos pioneiros do assentamento, que surgiu há cerca de 20 anos por conta da construção da Usina Taquaruçu, no Paranapanema, na divisa entre as cidades de Itaguajé (Norte) e Sandovalina, em São Paulo. Para ele, a falta da balsa ''atrapalha demais.''
''Eu quase nem vou para lá porque trabalho, mas a minha esposa tem que enfrentar toda aquela volta. Antes era tão perto'', queixa-se. O fiscal Paulo Bezerra é morador do assentamento em Pirapozinho e concorda com a reclamação de Batista. ''A gente usava demais aquela balsa'', declara.
Dono de um estabelecimento comercial no Distrito de Mairá, Helmodan Amaral dirige uma kombi lotada de mercadorias todo fim de semana até o outro lado do Paranapanema. ''Eu pagava com gosto os R$ 10 para atravessar na balsa. Muito melhor que dar a volta. Saio de casa às 4 horas da manhã para ir até lá e só volto no final da tarde com a kombi toda empoeirada.''
O trecho antes percorrido pela balsa é de um quilômetro. ''Quando comecei a trabalhar a balsa tinha capacidade para carregar 30 toneladas. Mas aí foi caindo, ano após ano, com as vistorias da Marinha. Desceu para 25, 20, 14 e antes de parar só era permitido transportar 10 toneladas'', revela o contramestre.
Fazer a travessia foi praticamente o primeiro emprego de Soares, que tem 42 anos. ''Quando era criança trabalhei na roça. Aos 17 anos fui para o Exército no Mato Grosso do Sul. Voltei depois de um ano e comecei a trabalhar na balsa como auxiliar. Fiz os cursos da Marinha em Foz do Iguaçu até me tornar contramestre. Pensei em fazer mais, mas aí teria que ir até Rio de Janeiro ou Itajaí (SC). Contramestre é mais do que suficiente para conduzir aqui'', garante.


