Balsa do Exército volta a permitir ligação entre Ribeira e Adrianópolis
Da Sucursal
Fotos: Albari RosaEstréiaA balsa provisória montada pelo Exército, durante a travessia inaugural; um caminhão de cada vez ou seis carro s pequenosA travessia de carros entre o município de Adrianópolis (PR) e Ribeira (SP) voltou a ser realizada ontem, com a inauguração de uma balsa provisória, instalada pelo Exército. A ponte que unia os dois Estados desabou há 43 dias, durante a enchente que provocou estado de calamidade pública em toda a região. O início das operações de travessia foi comemorado pela população e pelas autoridades locais.
Desde o final de janeiro eu já perdi 15 carregamentos de milho, que deveriam ter sido entregues em São Paulo, contou o pequeno agricultor José Fernandez dos Santos, de 63 anos. Segundo ele ainda, a falta de comunicação entre as cidades o deixou 20 dias sem acesso à conta bancária, já que a agência está localizada do outro lado do rio.
Dono de um dos primeiros caminhões que fez a travessia, o produtor de frutas Ezequiel Tavares, de 33 anos, diz ter perdido cerca de R$ 6 mil com o fim da ponte. Ele mora em Adrianópolis e, diariamente, leva seu produto até o Estado paulista.
O agricultor José Fernandez: prejuízos e 20 dias sem acesso ao banco
Na outra margem do rio, os motivos para festejar a reintegração dos municípios eram os mesmos. O comerciante Amarildo de Jesus, que mora e trabalha em Ribeira, não tem o cálculo do quanto deixou de ganhar neste período. Ele vende madeira vinda do Paraná. Não só o meu comércio como toda a população dos dois municípios parou neste último mês, afirmou.
O coronel Oberlaelson Bianchini, responsável pela operação de travessia, ainda não tem idéia de quantos veículos irão cruzar o rio diariamente. É a primeira vez que montamos uma operação como esta. O Exército executará a travessia 24 horas por dia, até que uma nova ponte seja reconstruída.
Segundo informaram as prefeituras dos dois municípios, a obra, que será feita pelo governo federal, está em fase de sondagem e será concluída num prazo médio de seis meses.
Para o prefeito de Adrianópolis, José Carlos Santos, a economia ficou parada
A balsa provisória oferece segurança total durante a viagem, segundo explicou o coronel. A embarcação comporta 35 toneladas, o que significa um veículo grande ou seis pequenos de cada vez.
A orientação dada aos motoristas é de que todos os passageiros permaneçam dentro do veículo. Quatro motores operadores por soldados do Exército fazem a balsa funcionar. Presa a um cabo de aço, a balsa contorna os problemas com a correnteza, um dos grandes problemas da travessia, admite o comandante.
Segundo ele, quando o fluxo de águas supera os três metros por segundo, as travessias são suspensas. Ontem, a correnteza era de 2,5 metros por segundo.
A profundidade das águas do rio, que não pode ser inferior a 50 centímetros, também é decisiva para a realização das operações. O rio, que possui uma largura de cem metros, registrava ontem 1,20 metro de profundidade.





