BALONISMO - Sensações infinitas em um passeio de balão
PUBLICAÇÃO
domingo, 11 de dezembro de 2005
Liliana Onozato<br> Reportagem Local 
O céu é o limite. Até a última sexta-feira, essa premissa nunca tinha sido tão real para mim. Voar num balão remete à infinitas sensações mas, por impulso, ousaria afirmar que livre é o estado de espírito constatado por todos que tiveram essa inesquecível experiência.
O 6º Campeonato Sul-Brasileiro de Balonismo e o 1º Festival Natalino de Balonismo, que encerram hoje em Maringá, reuniu 16 equipes dos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás e Rio de Janeiro. Durante a programação, profissionais da imprensa foram convidados ao vôo panorâmico.
Vamos lá. Quando se fala em campeonato, logo surge a idéia de que seu cronograma foi antecipadamente definido pelo diretor das provas e também conhecido pelos participantes, certo? Errado, em se tratando de balões. A resposta se confirmou assim que chegamos, às seis horas da manhã, para o primeiro briefing (reunião em que o diretor técnico define as provas) antes do vôo inicial, marcado para às sete horas. Informações assimiladas, as equipes seguiram para o ponto de decolagem. Vale lembrar que cada uma leva seu ''veículo de transporte aéreo'' desmontado e armazenado em carreta, caçamba caminhonete, caminhão e, às vezes, dependendo do delocamento e da força dos integrantes, partes do balão são levados nas próprias costas e braços.
Já no local, o vento forte dá indícios de que só haveriam duas possibilidades: ou a realização de uma prova perigosa ou o seu cancelamento. Mesmo na dúvida, as equipes começam a descarregar os balões. Envelopes (parte inflada do balão) desenrolados, cordas desamarradas, maçaricos com forte barulho em funcionamento, sondas soltas ao vento para orientação, checagem dos cilindos de propano, entre outros rituais. O diretor de prova convoca outro briefing. Após uma série de consultas, a prova foi cancelada e transferida para às 17 horas. Num processo inverso, as partes dos balões são guardadas. Diferente do que possa transparecer, as equipes não demonstram cansaço, mas disposição e muito senso de humor.
Com uma hora de antecedência, estávamos prontos para outra reunião. Mais um pouco de expectativa, tudo indicava que levantaríamos vôo. O diretor anuncia a prova, que foi dividida, então, em duas etapas; mínima distância e máxima distância. Para entrar no clima natalino, a equipe deveria usar gorrinhos de papai noel e, numa atitude poética, despejar lá de cima sementes de ipês sobre os espaços de terra vazios.
Novamente no ponto de decolagem, as equipes começam a montar o balão. Envelope, maçarico, cordas, cilindros e tudo mais. Agora, a equipe Air Adventures, de São Paulo, ganhou mais integrantes: a reportagem da Folha de Londrina.
É fantástico acompanhar o processo que faz um balão levantar vôo. Mais ainda, é sentir que a qualquer momento o chão passará a ter um limite de 1,40 X 1,10m (medidas do cesto). Um vez inflado, o balão tenta a todo instante alcançar o céu, mesmo que ainda não seja o momento. Para conter sua força, uma corda amarrada à caminhonete e mais três homens o seguram até o aval do piloto Carlinhos, como é conhecido no meio. Algumas injeções de gás propano que emite uma chama de aproximadamente 600 graus e subimos, leve e suavemente. A tranquilidade esteve presente durante todo o percurso, e o silêncio, quando o maçarico não era acionado, era algo quase inédito, frente ao ruídos de uma cidade vista de baixo. Lá de cima, tudo é pequeno. As pessoas, casas, quarteirões, prédios e carros. O céu, mais imenso do que já demonstrava ser em terra, inspirou-me a lembrar especialmente que devemos aproveitar o presente, porque o tempo não pára.


