No extrema zona oeste de Londrina, no Jardim Maracanã, está tudo errado, como diria o poeta do rap. O vira-lata é o companheiro compreensivo na lama e na poeira, na cesta básica e no desabastecimento total, na fresta que não segura o vento frio, no telhado baixo e sem forro, que torna as tardes de verão insuportáveis. Lembra Baleia, a criação impagável de Graciliano Ramos, sacrificada em eutanásia. Em meio à aridez da exclusão, fina ironia que brota com tinta branca na lona preta. Há honestidade nas palavras: não há o que temer neste mundo de fragilidade. Como no samba, rir para não chorar. (Lúcio Flávio Moura)

mockup